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quarta-feira, 17 de abril de 2013

A Cultura da Desculpa

É normal, no Brasil e em países de cultura predominantemente católicos, colocarmos a culpa dos acontecimentos nos outros, gerando sempre desculpas que nos absolvem de nossos atos e evita punições. 

Estamos em pleno julgamento do caso Carandiru, com uma velocidade enorme de 20 anos para ser julgado, e ouvimos do Governador da época que embora ele não tenha dado a ordem, teria feito, com a desculpa que nada mais era possível em termos de negociação. Talvez ele esteja certo, talvez não. E não considero que quem estivesse lá fosse bonzinho, inocente ou coisa do tipo, mas o ponto é: a desculpa pelo ato é o público que estava lá dentro. Não assume a culpa que houve excessos e ordem para matar.

Ok, esse é um tema muito delicado, não tenho acesso as provas, nem estava la. Vamos reduzir o escopo então. Atentado em Boston. O Governo Americano não se desculpou pelo ocorrido. Ele agiu. Viu que há erros, que precisa reforçar a segurança, e prestou solidariedade às vítimas com eficiência e competência. Há mais os americanos não são comparáveis, são hipócritas, uma sociedade decadente, um império em ruínas odiado por diversas culturas. Ok, vamos reduzir o escopo novamente.

Normalmente no Brasil nós colocamos a culpa pela nossa pobreza porque Deus quis. Que nossos políticos são corruptos, porque os partidos permitem isso. Que nossa carreira não progride porque o chefe nos persegue.

Em outros países, se você é rico, e normalmente é possível ter uma confortável vida como fruto do seu trabalho, não há culpa nisso, nem há também uma superexposição dessa condição. Você apenas usufrui do conforto que lhe é permitido pagar. Se você é pobre há, em sua grande maioria das vezes, a oportunidade de mobilidade social, mas a culpa não é de Deus, mas talvez do sistema, do capitalismo, da educação, etc., mas o que importa é que eles não ficam se lamentando, trabalham para mudar.

Os nossos políticos não são corruptos por culpa dos partidos. O Feliciano, Maluf, José Dirceu, Lula, Tiririca estão no Poder, representando o povo, não porque os partidos quiseram assim mas porque o povo, sim meu caro, você mesmo, votou nesses caras. Não adianta culpar alguém para ter direito à desculpa de ser representado por esses caras em Brasilia, ou nos paços Estaduais ou Municipais. Para de pedir desculpas e assuma sua responsabilidade. Vote Limpo.

Sua carreira não progride, a empresa não paga seus treinamentos? Já avaliou se você está fazendo certo? Se você tem o perfil da empresa e da profissão? E se sim, o que falta? Estudar inglês, fazer uma pós, MBA, etc., isso não é responsabilidade da empresa, isso é sua responsabilidade.

Você está com saudades de alguém? Ligue. Mande SMS, e-mail, fumaça... mas para de desculpar-se pela falta de tempo... talvez haja falta de interesse mesmo.... assuma isso. Há momentos em que as agendas são difíceis, há incompatibilidade de horários, fuso horário diferentes, mas nada que o whatsapp ou skype não resolva... até o Facebook tem chat com câmera. Então dá para ver, falar, contar as novidades.

Brigou com alguém e quer desculpas? Porque não dar o primeiro passo? Está apaixonado? Porque não se declarar? Quer um novo emprego, procure! Uma promoção, trabalhe. Um país decente, vote limpo, seja voluntário, não jogue lixo na rua, não corrompa nem permita ser corrompido, não fure fila... mas pelo amor de Deus não peça desculpas por morar num país sujo (na rua e no Congresso). Se por algum motivo a sua culpa deve valer para algo é para mudar....

Na minha academia tem uma menina que é cega... ela tinha todos os motivos para desculpar-se e culpar-se por sua suposta "condição especial".... mas não, é uma menina como outra qualquer na sua idade e que é vaidosa, quer ser saudável... e o mais incrível é que apesar de já fazer uns dias que a encontrava, apenas semana passada percebi que sua diferença, até aquele dia, apenas tinha visto uma menina com um sorriso no rosto que contagiava. Ela não usou a desculpas.


Michael Jackson foi muito feliz na música Man in the mirror, quando diz para olhar-se no espelho e tomar a atitude para mudar o mundo.

(http://youtu.be/YJsxtJEy87Q#aid=P7_Z6dnq1aA)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Crise de Perfeição

Imagine-se na seguinte situação:
* vida familiar tranquila, e em paz, na medida do possível que uma familia pode ter;
* vida profissional caminhando de acordo com o previsto, em que você faz o que gosta, com as pessoas que admira;
* vida pessoal indo bem, com alguns bons amigos ao lado para o que der e vier, colegas para badalar, e oportunidade de conhecer sempre pessoas novas, interessantes.
*vida amorosa em stand-by, é verdade, mas sempre com possibilidades de encontrar um amor de verdade;
* saúde própria e dos que te cercam sob controle;
* independencia financeira.
Tudo isso somado ao fato de você ser a imagem do que sempre imaginou na sua infância, naqueles sonhos e discussões acoloradas do que você seria quando crescesse estar sendo consolidada com muito trabalho, sendo elogioado pela sua competência (claro, com cuidado ao receber os elogios), e com uma remuneração razoável dentro do mercado.
E derepente você se vê imaginando que não tem motivos para tanta alegria, e ja fica imaginando formas de se punir, nao criando situações de autosabotagem, se olhando no espelho e se achando gordo/magro, feio, alto/baixo, malhado/flacido, tudo isso demais, criando disformias da propria imagem, achando-se sempre longe dos ideias de beleza photoshop vendidos em todas as revistas da atualidade.
Você só consegue ver quem ganha mais, namora mais, viaja mais, consome mais, diverte-se mais, acha-se o últimos dos seres a ter direito a ser feliz como é, porque não é perfeito como o galã da novela das oito.
Cria armadilhas para culpar o motivo de não encontrar um amor, porque você quer a pessoa perfeita, do tamanho exato do seu sonho e nada menos que isso. Você deseja a perfeição no outro que não enxerga em si mesmo.
E então você entra numa crise de perfeição, pois você é exatamente o que sempre desejou, mas culpa-se pelo seu sucesso pessoal, profissional, pelas alegrias que teve, e pelas lágrimas que derramou, pelas rugas que começam a aparecer no canto do olho que declara os acontecimentos da sua vida.
Essa crise é quase uma condição católica-apostólica-cristã-latina que ve na alegria um motivo para autoflagelar-se, imaginando que na próxima esquina uma desgraça o espera para acabar com a sua felicidade. Talvez os povos protestantes ou budistas sejam mais felizes que nós, pois aceitam as condições que lhe são apresentadas de forma muito melhor, em que o sucesso é o resultado do seu trabalho com estar no lugar certo e não como uma forma de te castigar, e provar que você não merece nada do que tem.
Fico imaginando porque não podemos ser simplesmente felizes, e aproveitar os momentos de sucesso e conquista, e porque às vezes alguém vem, como quem não quer nada, dizer que tudo que você tem e faz nada mais é do que um signo da sua ostentação infantil.
Vejo tantas pessoas cobrando a perfeição que nunca terão, e descartando qualquer signo de felicidade, pelo simples fato de não se considerarem merecedoras da alegria plena.
Não vejo motivos para isso. Só eu sei os caminhos que percorri para atingir essa felicidade, as dificuldades que passei para ser o que eu sou e o quanto me custa não ser perfeito, e em tentar ser feliz sem cobranças. Mas claro, ainda tenho uma ponta de culpa, que me diz que eu não mereço nada disso, mas logo olho em volta e sei que mereço sim, pois a felicidade é o nectar dos deuses e a absolvição humana!

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Crise da Culpa

E o mundo não se acabou em culpas e mais culpas!

Após ler sobre a culpa fiquei pensando no assunto e no começo até fiquei um pouco culpado por copiar o assunto, mas como não copiei o texto sem mencionar o autor... logo estou livre dessa culpa!

Culpa, bem, temos a tal culpa católica de ter tido JC crucificado em nome do perdão dos nossos pecados (mesmo os que não tivemos nenhuma culpa), temos a culpa Budista de não ter sido a reencarnação de algum Dalai, temos a culpa muçulmana de sofrer até que se provoque algo no seu inimigo e encontre o paraíso após a morte (pelo menos essa é a conotação que o Talibã dá), a culpa de mulher suar calças e dos fiéis assistirem a TV do Diabo e assim por diante em todas as manipulações possíveis que as Igrejas nos impõem.

Temos a culpa de sermos um pouco mais evoluídos socialmente (mesmo quando estamos na classe média baixa), a culpa por termos estudado a média de um país Europeu vivendo num país de média educacional da África, temos a culpa de andarmos de carro quando nosso sistema de transporte público é falho, culpa de poluírmos, culpa de gastarmos, e culpa até de amar.

Temos culpas demais a carregar em nossas costas e que são suficientes para frear nossa felicidade. Fico imaginando se todos os segredos fossem tirados da caixa de pandora, se todos os esqueletos de nossas vidas tirados dos armários de nossas vidas e jogados nas ruas das nossas amizades, será que nós sobreviveríamos à tanta verdade e tanta falta de culpa?

Já fiz isso com algumas pessoas, e mostrei alguns dos meus "esqueletos" e fui muito respeitado nisso e até me senti mais confortável em ser feliz. Me livrei de uma parte dessas culpas, mas sei que o mundo não está preparado para livrar-se dela.

Imagine se os fofoqueiros de plantão, os adoradores da infelicidade alheia não tivessem mais como culpar os outros, o que seria da própria culpa? teriam de enfrentá-las de frente.

Há culpas que nós mesmos nos impomos, mas sempre com medo de uma repreensão social que "será injusta" ao nos julgar! Se eu mudar de emprego, o que meu chefe vai achar? Se eu largar a minha esposa para viver um grande amor, o que a minha família achará? Se eu usar roupas fora de moda, o que a Gloria Kalil irá dizer no Fantástico? Se eu não souber comer com 4 tipos de garfo diferentes, o que o garçom irá deduzir? Se eu simplesmente for eu, será que Deus (qual seja a religião) irá me amar?

É muita culpa, é culpa demais!