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domingo, 15 de fevereiro de 2009

Crise de Timidez

Certa vez, num passado distante, numa terra muito, muito lonfge, eu era timido, daqueles que travavam diante de uma pessoa desconhecida, de uma novidade, que seria incapaz de fazer uma apresentação pública, com medo de ter os meus possíveis erros apontados em todos os registros para o resto da humanidade, provando a minha imperfeição.

Pois é... em um determinado momento eu precisei enfrentar isso, assim que comecei a trabalhar e foi um dia, que até hoje faz parte da minha memória sentimental e mudou meu jeito de ser.

Certa vez alguém escreveu ou falou que o tímido é aquele que se acha o centro do mundo, para que todos prestem atenção em seus atos e erros e se lembrem para sempre da gafe.

Pois é, as pessoas até podem fazer isso no momento, rir da desgraça alheia é tão humano quanto o polegar. Isso nos diferencia do resto dos animais, mas isso não quer dizer que será lembrado eternamente.

Os humanos erram, e aprendem com isso, evoluem, se tornem melhores (ou piores), mas determinados fatos não coroam as mentes alheias. Claro, quem apanha lembra muito mais quem bateu, mas devemos dar menos importância aos outros e mais a nós mesmos. Deve haver mais amor próprio do que amor ao próximo... sim, é egoísta, mas é o que garante a nossa sobrevivência no mundo.

Se você quer dançar sem saber dançar, dance, não ligue para a opinião alheia, que não serve de nada. Fazer o que se deseja está muito próximo ao CARPE DIEM, pois aproveitar o dia é fazer o que se gosta, o que proporciona prazer, o que faz bem...

A timidez não pode ser um freio no desenvolvimento social de ninguém... você é o que é, meio torto, meio gordo, meio reto, meio magro, dedos desproporcionais, braços longos, perna fina, etc., pode cair num palco, torpeçar na rua, errar um texto, falar inglês errado, mas vai deixar de sobreviver por causa disso? Perder oportunidades pois os outros podem, imaginando a sua importância no mundo deles, rir porque você gaguejou, enquanto eles nem tiveram coragem de tentar?

As pessoas gostam de apontar os erros pois é um jeito de diminuirem aqueles que tiveram a "ousadia" de fazer o que eles não tiveram.

Timidez e medo, assim como todos os demais sentimentos, são importantes como freio moral mas devem ser usados com moderação.

Aristóteles, em ética a nicômaco, já dizia isso, o equilíbrio é essencial à humanidade para atingir a felicidade.

Então a timidez, como tudo, deve ser usado com moderação... eu ultrapassei essa fase, e certamente sou mais feliz hoje, embora, para algumas coisas meu freio moral funcione e me retrai um pouco, mas uma vida é muito pouco para se livrar de tudo!