domingo, 16 de agosto de 2009
crise do elogio
sábado, 8 de agosto de 2009
crise do ninho
Nos próximos dias estou de mudança. Saio da casa dos meus pais e aos 31 anos irei morar sozinho. Não é uma decisão fácil. Não é um momento tranqüilo.
Essa decisão traz, por si só, uma série de mudanças práticas na vida. A partir de agora eu preciso comprar e fazer a minha comida. Pagar a luz, telefone, TV à cabo, a faxineira, o conserto eventual de um equipamento. Preciso arrumar a cama, limpar o banheiro. Preciso crescer e tomar conta da minha vida por mim mesmo, saindo da barra da saia da minha mãe e das calças do meu pai.
Além das mudanças práticas, há a mudança emocional. Não terei mais com quem conversar ao chegar em casa, pelo menos até arrumar um amor para chamar de meu, ninguém para implicar com meus sapatos espalhados pelo meu quarto ou banheiro. Ninguém estará preocupado se vou para jantar ou a que horas cheguei em casa. Ninguém para brigar ou fazer as pazes. Ninguém para me dar remédios quando doente, exceto se for grave o suficiente para ir ao hospital ou pedir socorro.
Morar nas casas dos meus pais é confortável demais. Não me preocupo com nada, apesar do meu salário, não pago contas, não me preocupo com a manutenção das contas do lar, a roupa é lavada, passada e guardada sem eu tomar conhecimento. Há sempre o que gosto de comer na geladeira ou dispensa. Sempre um chá quente nos momentos de crise. Não terei mais isso.
Por outro lado, morar sozinho me proporcionará liberdade de acertar e errar por mim mesmo, a começar pela decoração, compra de eletrodomésticos, as compras básicas, a pesquisa de preços das compras do mês. Proporcionará-me a experiência de tomar conta da minha vida, para então poder tomar conta de um departamento, de gerenciar pessoas, desenvolver novos talentos, sair da zona de conforto.
Claro, sou o primeiro da família toda a fazer isso. Os demais seguiram o padrão familiar, nascer, crescer, casar, reproduzir, eventualmente separar, casar de novo, reproduzir, e morrer. Não nasci para isso. A partir do momento que mudamos de Estado e Cidade, rompi de vez os laços do tradicional. Nasci, cresci e rompi com o tradicional. Estudei, me formei, escrevi um livro, me pós-graduei, trabalhei, viajei, amei, rompi, me relacionei, terminaram comigo, trabalhei demais, conheci pessoas interessantes, estive no meio da história, na geração cara pintada, fui a shows, vi arte, cultura, moda, ouvi músicas que os pares não fizeram. Não sou melhor nem pior, mas diferente.
As minhas experiências pessoais e culturais me tiraram do trilho da tradicionalidade. Romper com isso não é fácil, pelo contrário é doloroso, como é doloroso ser diferente em tudo, seja na religião, “opção” sexual, profissão, cor, e demais aspectos que podem nos tornar único. Vivemos um mundo de massificação cultural e ser diferente é dolorido, mas não menos normal que os “tradicionais”.
Gosto da diferença, de ser diferente, de tentar, ao menos tentar, pensar por mim, pelas minhas convicções, vontades, desejos e anseios. Vivo e trabalho num mundo corporativo tradicional, de uma carreira padrão, venho de família classe média de comercial de margarina: mãe dona-de-casa, pai provedor, irmã casa e professora e eu advogado. Não desmereço o padrão, pelo contrário, adoro tudo isso, e trabalho para manter o padrão social financeiro, mas não me peça para acompanhar o que todos assistem, e fazer o que os demais fazem, simplesmente não posso.
Eventualmente freqüento os lugares da moda, me visto com roupas da moda, etc., mas não só porque está na moda, mas porque é lá que eu encontrarei meus amigos, e com aquela roupa que me identificarei com meus iguais nas diferenças, na minha turma. Mesmo os diferentes são iguais em alguma coisa.
Sair do ninho aos 31 anos não é fácil, como não o é aos 18, aos 21 ou aos 40, mas em algum momento, será necessário. Dizem alguns sociólogos que os 30 de hoje são os 20 do passado, que é aqui que termina a adolescência, que os filhos saem do ninho de segurança da família, seja casando, seja mudando, viajando, etc., mas aos 30 fazemos o que nossos pais fizeram aos 20. É doloroso e desconfortável, mas é necessário.
Acredito que o fato de perder o contado diário com meus pais melhorará significativamente a qualidade do nosso relacionamento, que considero bom, mas que sem o desgaste diário transformará os momentos de encontro em momentos muito mais especiais. Ambos os lados irão valorizarão imensamente aquele instante de encontro, mas sabe que daqui a pouco um dos lados irá embora para sua casa.
Há neste momento a crise do ninho vazio para meus progenitores, que devem estar morrendo de receio do que poderá acontecer comigo nessa empreitada. Para mim há a crise de deixar o ninho, o medo de não conseguir bater as asas forte o suficiente e não voar, de ter de voltar ao ninho até fortalecer mais os músculos e tentar novamente. Há crises e paixões demais em tudo que envolve esse momento, o que pode causar transtornos que não desejamos, mas que é a forma que temos de demonstrar nosso desespero, medo de tudo dar errado, e com família não modo ou jeito de ser racional, sempre se age passionalmente, intensamente.
É um daqueles momentos que sabemos que nossa vida tomará novo rumo, é uma daquelas encruzilhadas que temos consciência. É o ponto de mudança. Nem sempre temos essa consciência. Mas hoje posso dizer, que a minha decisão de 2 anos atrás de comprar um apartamento, torna essa encruzilhada real hoje. Poderia simplesmente vende-lo e ganhar com a especulação, mas pelo contrário, torno neste momento real a minha decisão.
Estou esticando as asas para levantar vôo do ninho. A altura é elevada, assim como os riscos, o coração dispara, a adrenalina eleva-se. O momento chega. E num segundo, deixo o ninho para viver a minha vida. E tal como todos os empreendedores da humanidade, darei um pequeno passo para a humanidade, mas um enorme passo para um homem.
Que os deuses e anjos me acompanhem, e que o salto seja pacífico. Porque o amor dos meus pais, isso já garante o céu de brigadeiro enquanto estiver voando.
sábado, 25 de julho de 2009
Crise de dicotomia
Ocorre que de vez em quando, na frequência do cometa harley somos colocados diante de pessoas diferentes de nós, e pessoas por quem possuimos afeição razoavel, e que está inserida no nosso meio, elas meio perdidas nas nossas percepções e nós perdidos em suas visões.
Essas confrontações com nossos "pré-conceitos" é útil para reavaliarmos as nossas posições e dogmas e colocarmos à prova os outros, mas é imprescindível que estejamos preparados para esse tipo de proposta de mudança. De nada adianta colocar uma pessoa não preparada para discutir filosofia com Freud uma descrente em filosofia, ou mesmo física quântica com um cientista uma analfabeto funcional na arte da matemática.
Para que haja sorte é necessário ser a pessoa preparada no momento adequado, e até para termos a possibilidade de evoluirmos em nossos conceitos, mudá-los ou até mesmo sedimentá-los diante de inquisição dos porques trazidos pelo sopro de novidade de um pensamento diferente, é necessário estarmos abertos à novidade, assim como é necessário estar aberto ao amor para se namorar.
A sorte de encontrar uma pessoa com quem se possa manter um nível razoável de conversa já é complicado em demasia nos dias de hoje, e na era da comunicação e da internet em que cria-se vários guetos é muito mais complicado encontrar alguém que se possa manter uma conversar dicotômica, em que ambos têm argumentos razoáveis, mas diferentes sobre algum assunto.
Vivemos na era dos barulhos, em que encontramos nosso grupo em ambientes com tantos ruídos que nos impede de mantermos comunicação de boa qualidade por um tempo razoável. Somos qualificados por nossas profissões, posses, estilo de vestuário, mas não pelo nosso conteúdo, modo de perceber o mundo, opiniões pessoais.
Qualificamos as pessoas nos primeiros 30 segundos de conversa. Desejamos pessoas que se encaixem em nossos desejos íntimos. Colocamos empecilhos em quaisquer defeitos que percebemos nos outros. Não damos oportunidade de nos ensinarem um novo ponto de vista.
Somos tão presos aos nossos padrões, que esquecemos de dar chance aos outros. Mas quando isso acontece, rejuvenescemos nossas mentes e corações, trocando nossas lentes embaçadas pela gordura do tempo e a sujeira do preconceito. Mas isso é tão dificil. Mas vamos dar um passo, ouvir uma musica que não é o nosso padrão, ir a um lugar diferente, experimentar um tempero novo, beijar uma pessoa diferente do nosso padrão, e quem sabe possamos entender o outro melhor, e ver que o seu ponto de vista, mesmo quando não aplicado à sua realidade, também é verdadeiro e legítimo
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Crise de Férias
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Crise de Gripe
Como não me sentia bem na empresa, resolvi seguir para um hospital, ser medicado, tomar uma injeção e poder voltar trabalhar amanhã normalmente. Pois não fui feliz na minha meta. Fui a 2 hospitais em SP, sendo um deles, de acordo com a minha irmã, referência para o tratamento da gripe H1N1 (ou gripe suína mesmo), pois a espera ultrapassava as 3 horas de espera, e isso em plena 2ª Feira às 15h00.
No Hospital referência a coisa estava mais crítica, pessoas com máscaras cirúrgicas, caras de assustadas e de desespero. Havia um que de apocalíptico no ar.
Claro, não fiquei esperando lá, pois não tive contato com pessoas contaminadas com o vírus, pelo menos que eu saiba. Não tenho todos os sintomas. No meu caso é um forte resfriado com sinusite, não preciso passar por aquilo, não agora.
Mas o que me deixou impressionado é a capacidade das pessoas estarem assustadas com os mais leves sintomas, mesmo que isolados dos demais, e achar que estão contaminadas pela doença. Talvez tal como a Cegueira do Livro do Saramago, esse momento seja o início de uma cegueira coletiva guiada pelo comoção geral, pelo medo de contaminação, de risco de morte. Estamos prestes a uma histeria coletiva, corroborada por atitudes populistas de dirigentes da saúde.
De acordo com as informações do Ministério da Saúde (não que sejam os mais confiáveis) a mortalidade é 0,4%, ou seja, a mesma da gripe normal. Esse pânico é desnecessário e fruto da ignorância, como tudo. Foi assim no começo da AIDS, por exemplo, em que a desinformação do "câncer gay" provocou uma onda de preconceitos contra os homossexuais. Assim está com os gripados e resfriados atuais.
Tenho medo do que pode acontecer, no caso de uma doença efetivamente devastadora, em que se transmite pela água, pelo ar, ou coisa que o valha, com grande capacidade de infecção e alto índice de mortalidade. Deveremos ter uma limpeza humana na terra, com uma onda de suicídios, diante do medo das mzelas que uma doença que pode trazer.
Da mesma forma que a ignorância é a chave da felicidade, pois percebe-se a alegria dos olhos dos ignorantes, que formam a base da pirâmide social proporcionalmente inversa ao brilho dos que estão no topo, a ignorância é também a chave do desespero para situações em que se precisa de um pouco de equilibrio.
Fico preocupado com os desdobramentos dessa doença, e o pânico que pode provocar na população, não só tupiniquim, mas em todas os demais povos que estão sofrendo com isso.
Que a gripe H1N1 não passe de um alarme falso de ma crise da saúde mundial, mas que ela sirva para mostrar aos governantes o que se deve e o que não se pode fazer. Vamos fazer a nossa novena em templos lotados, e sem higiene para que não tenhamos uma doença grave nos próximos meses.
sábado, 4 de julho de 2009
Crise de vida On Line
Eu tenho um pouco desse perfil. Sou tímido para manter as relações mais intimas, para me abrir os meus sentimentos mais íntimos às pessoas que me cercam, por isso uso esse blog. Por isso eu tenho amigos virtuais. Por isso gosto da internet.
De acordo com a revista a internet acaba com a solidão social, que te insere em comunidades comuns, te apresenta pessoas com gostos comuns, te permite participar de eventos sobre o assunto. Pode te proporcionar uma vida social.
Mas por outro lado, não te permite a aprofundar as relações interpessoais, pois acaba-se tendo muitos conhecidos, mas poucos amigos. Quantos você pode efetivamente contar, no fim das contas, se ficar sem dinheiro, sem fama, sem trabalho, sem saúde? Com quantas pessoas você pedirá apoio e receberá? Conta-se nos dedos da mão, se tiver sorte.
Eu tenho sorte. Tenho uma mão de amigos verdadeiros, que passei por crises, brigas, divergências, que moram perto, longe, logo ali e do outro lado do mundo. Tenho amigos virtuais, tenho amigos reais, tenhos colegas e conhecidos, em bits e em carne. Alguns com mais profundidade, outros apenas na epiderme. Muitos de nós com pouco tempo de se encontrar, pois trabalhamos demais, vivemos demais, amamos demais, e isso nos consome tempo, impedindo de termos contatos mais constantes.
Mas lendo a matéria, percebi que gasto tempo demais com as comunidades virtuais, o que não me deixa feliz, embora nunca tenha deixado de ter meus amigos de carne e osso, que eu amo e estimo como uma família escolhida a dedo e pelo destino, mas acabamos perdendo contato de uma forma ou outra.
Diminuimos a intensidade dos nossos relacionamentos, porque nos relacionamos em massa, como tudo nesse mundo, queremos mais, queremos tudo, queremos tudo e agora, queremos viajar por 30 paises em 15 dias, de onibus pela Europa, para nao parecer que deixamos algo para trás, queremos ver todos os blockbuster do cinema, todos os restaurantes estrelados da Michelin, queremos as peças de teatro da broadway, todos os CDs de Michael Jackson.
Eu decidi fazer um experimento. Vou me dedicar aos amigos reais. Aos virtuais, apenas os que já tenho contato. Não quero novos amigos virtuais, mas aproximar-me dos atuais. Não será fácil, mas será uma mudança.
E você, quanto você gosta dos relacionamentos fast-food?
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Morre Michael Jackson
Muitas coisas serão ditas sobre ele agora, acusando-o de tudo e mais um pouco, defensores surgirão. Mas para mim morre um dos artistas mais importantes da contemporaniedade, o artista que me apresentou o mundo pop e me fez apaixonar por shows.
Ele não mudou o mundo pop. Ele criou o mundo pop. Todos os artistas atuais seguem ele e sua linguagem, influenciou a música, a cultura, a imagem, a linguagem pop.
Minha melhor lembrança da adolescência é o momento que entrei no Morumbi para assistir seu show. A só foi superada pela entrada do palco dele. O Show foi perfeito.Um clipe ao vivo.
Não defenderei a vida pessoal dele, pois não o conheci na intimidade e ele usou e foi usado pela mídia, muitas mentiras foram ditas e outras verdades foram omitidas a seu respeito e a respeito da sua história. Só os atores principais sabem os fatos reais e a verdade em sua plenitude.
Quanto ao aspecto cultural, mesmo para aqueles que não gostam do seu estilo musical, precisam render-se ao seu impacto e tamanho da sua importancia, que agora cala-se, descansa.
Espero, que tenha tido a oportunidade de consertas seus eventuais erros, e que sua boas ações tenham superado as negativas.
Que descanse em paz.
domingo, 7 de junho de 2009
Crise de Presidência
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Crise de Sujeira
Percebi que a cidade de São Paulo está suja, sem amor, sem uma paixão que faça brilhar seus olhos e faça pulsar seu coração. A cidade está abandonada à sua própria sorte (ou azar), pois seus moradores a maltratam diariamente, "24x7" como dizem os americanos.
São Paulo não tem as belezas naturais do Rio de Janeiro, as luzes de Paris, o charme de Veneza, a tecnologia de Tókio ou o Poder de Nova York. São Paulo é megalópole em sua riqueza, ounjância e cultura. Tem mais musicais que a Brodway, mais carros que Los Angeles, mais gente que muitos países do mundo.
A cidade é cultura no coração e dinheiro na cabeça, é onde se vem para ganhar a vida, fazer a américa, poderia ser dito pelos nossos antepassados, mas não é onde se vem investir uma vida no futuro, é onde se ganha dinheiro no presente para ser abandonada no futuro.
São Paulo pulsa, e tal como outra cidade, nunca dorme para acolher os que buscam refúgio em suas veias fétidas dos esgotos entupidos, e nas derrames de águas pelos boeiros abertos nas chuvas de verão. A metrópole se entorpece com o gás carbônico dos veículos que cortam suas vias rápidas e velocidades cada vez menores.
Locomotiva nacional perde fôlego com os abusos cometidos pelos seus governantes, escolhidos por um povo despreocupado com a sua casa, que abandona sua mãe na primeira oportunidade, daqueles que ignoram o passado e que repetem os mesmos erros de sempre, deixando cicatrizes nos rostos tristes dos seus mais pobres filhos.
A cidade que tem o metro mais caro da cidade, não respeita seus moradores menos abastados, joga-os a condições miseráveis para manter-se suprema na sua punjância desregrada da grifes internacionais.
São Paulo é puta dos teus filhos, que a violentam com tal intensidade, que só resto aos teus pais chorarem do alto dos templos e alicerces da cidade.
Mas esta mesma terra, tem seus bons filhos, que em minoria tentam valorizar os frutos colhidos, que amam as suas oportunidades, suas belezas raras, encondidas na alma de sua gente, na arquitetura dos teus criadores, na lição dos teus mestres, na inocência de suas crianças.
A cidade renasce das cinzas da poluição a cada nascente de sol para a esperança dos que nela chegam, para que o sopro de sua juventude na cidade possa salvar sua alma combalida.
A terra da punjancia, tenta fazer sobreviver seu colorido diante de tanto cinza e pixadores, que tal como bandidos, judiam daquela que os acolhe, e a cidade, como boa mulher de malandro continua tentando viver aos tapas e barrancos, sem derramar uma lágrima.
Ao me deparar com tamanho descaso, me peguei perguntando se valia a pena amar maltratada cidade... e após um pouco de reflexão conclui que cada um demonstra seu amor de forma distinta... só não entendo os que amam destruindo...