segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Crise de Perfeição

Imagine-se na seguinte situação:
* vida familiar tranquila, e em paz, na medida do possível que uma familia pode ter;
* vida profissional caminhando de acordo com o previsto, em que você faz o que gosta, com as pessoas que admira;
* vida pessoal indo bem, com alguns bons amigos ao lado para o que der e vier, colegas para badalar, e oportunidade de conhecer sempre pessoas novas, interessantes.
*vida amorosa em stand-by, é verdade, mas sempre com possibilidades de encontrar um amor de verdade;
* saúde própria e dos que te cercam sob controle;
* independencia financeira.
Tudo isso somado ao fato de você ser a imagem do que sempre imaginou na sua infância, naqueles sonhos e discussões acoloradas do que você seria quando crescesse estar sendo consolidada com muito trabalho, sendo elogioado pela sua competência (claro, com cuidado ao receber os elogios), e com uma remuneração razoável dentro do mercado.
E derepente você se vê imaginando que não tem motivos para tanta alegria, e ja fica imaginando formas de se punir, nao criando situações de autosabotagem, se olhando no espelho e se achando gordo/magro, feio, alto/baixo, malhado/flacido, tudo isso demais, criando disformias da propria imagem, achando-se sempre longe dos ideias de beleza photoshop vendidos em todas as revistas da atualidade.
Você só consegue ver quem ganha mais, namora mais, viaja mais, consome mais, diverte-se mais, acha-se o últimos dos seres a ter direito a ser feliz como é, porque não é perfeito como o galã da novela das oito.
Cria armadilhas para culpar o motivo de não encontrar um amor, porque você quer a pessoa perfeita, do tamanho exato do seu sonho e nada menos que isso. Você deseja a perfeição no outro que não enxerga em si mesmo.
E então você entra numa crise de perfeição, pois você é exatamente o que sempre desejou, mas culpa-se pelo seu sucesso pessoal, profissional, pelas alegrias que teve, e pelas lágrimas que derramou, pelas rugas que começam a aparecer no canto do olho que declara os acontecimentos da sua vida.
Essa crise é quase uma condição católica-apostólica-cristã-latina que ve na alegria um motivo para autoflagelar-se, imaginando que na próxima esquina uma desgraça o espera para acabar com a sua felicidade. Talvez os povos protestantes ou budistas sejam mais felizes que nós, pois aceitam as condições que lhe são apresentadas de forma muito melhor, em que o sucesso é o resultado do seu trabalho com estar no lugar certo e não como uma forma de te castigar, e provar que você não merece nada do que tem.
Fico imaginando porque não podemos ser simplesmente felizes, e aproveitar os momentos de sucesso e conquista, e porque às vezes alguém vem, como quem não quer nada, dizer que tudo que você tem e faz nada mais é do que um signo da sua ostentação infantil.
Vejo tantas pessoas cobrando a perfeição que nunca terão, e descartando qualquer signo de felicidade, pelo simples fato de não se considerarem merecedoras da alegria plena.
Não vejo motivos para isso. Só eu sei os caminhos que percorri para atingir essa felicidade, as dificuldades que passei para ser o que eu sou e o quanto me custa não ser perfeito, e em tentar ser feliz sem cobranças. Mas claro, ainda tenho uma ponta de culpa, que me diz que eu não mereço nada disso, mas logo olho em volta e sei que mereço sim, pois a felicidade é o nectar dos deuses e a absolvição humana!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Crise de Catarse

E então anos mais tarde eles se encontraram num bar para beber, conversar e colocar o papo em dia. Ja fazia muito tempo desde o último encontro e muitas coisas tinham acontecido e mudado na vida daquelas pessoas ali reunidas. Tinham casado, separado, recasado, tiveram filhos, se deram bem num trabalho e se deram mal em tantos outros.

Foram anos bons e mas também anos duros os que se passaram, em caminhos tão diversos que nunca se imaginaria tão eclético grupo junto, com uma história comum, com um passado juntos. Foram os melhores amigos, e por ter acontecido durante a sua adolescência, foram cruéis um com o outro. Usaram apelidos, provocaram brigas entre si e se defenderam de outros. Fizeram as pazes, e seguiram caminhos que a vida lhes proporcionaram. Viajaram, conheceram o mundo, ficaram aqui e viveram suas condições.

Da mesma forma que perderam a intimidade do tempo, tem a intimidade da amizade que nuca fora perdida mas que esteve sob o estado de hibernação profunda, que é despertada a cada encontro, com um sorriso, um abraço apertado e sem barreiras, com uma cerveja na mão, e o brilho sincero de estar em boa companhia.

Eis que tanto tempo depois, com a maturidade na alma e o coração limpo, se desculparam pelas ofensas cometidas, pelas gafes, pela distância. Fizeram a Catarse de seus passados, e se prepararam para o futuro, e assim podem seguir suas vidas com um fardo a menos para carregar.

E então conseguiram tornar aquela amizade em indestrutível.

Obrigado aos que estiveram lá.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Edith Piaf – o pequeno pardal

Essa semana vi tarde demais o filme Piaf – um hino de amor, e se eu já gostava da Edith Piaf, hoje me apaixonei.

Ela foi a síntese do sofrimento de um artista, cuja alma não esta preparada para o mundo e sua crueldade. Uma pessoa que foi abandonada por todas as pessoas que a cercaram e amou por vontade ou pelo destino. Foi só, solitária, traída, intensa, diva, mulher, amante, esteve no céu, no inferno e no purgatório, esteve onde os mortais classe média nunca estarão.

Sofreu, sofreu e sofreu todas as dores dos amores que passaram em sua vida, desde o amor materno até o amor de seus homens e mulheres. Teve alguns amigos que se tornaram a sua família, que trocaram ao longo do tempo, e alguns que permaneceram por toda a sua vida, mas que apesar de tudo, ainda acreditava no amor ao final de sua vida.

Foi capaz, como dizia sua musica, de esquecer o passado, e que o bem ou o mal que lhe fizeram não importava, pois tinha o recomeço, o novo, uma vida pela frente, um ponto zero.
Talvez essa seja a síntese do desafio do ser humano na terra: ser capaz de recomeçar.
Normalmente nos vemos apegados às nossas vitórias do passado, os elogios, às magoas e derrotas, os amores e desamores que nos esquecemos de olhar para frente, e para a porta que se abriu em frente a nossos narizes, perdemos a oportunidade de nos recuperar, de termos um novo amor, pois deixamos nossos corações nos calabouços do passado, ali parados como que na overdose de demerol.

O reinício tão difícil em nossas vidas tão medíocres torna o nosso futuro tão impossível e improvável. Vivemos os ciclos dos acontecimentos em repetições eternas sem conseguir aprender 1 vírgula sequer, sem que isso seja esfregado em nossas caras por uma cartomante qualquer. Sem altas doses de fortes antidepressivos. Deprimimos-nos em nossa vida mais ou menos. Esquecemos do amor. Desistimos da felicidade pelo simples medo de sofrer uma decepção. De sentir a pele, o cheiro, o beijo e de um dia não ter mais nada.

Queremos a certeza da eternidade e a intensidade da paixão no mesmo pacote. Queremos você, ele, eu, o amor de novela. Mas não o risco. Nada de ônus, apenas o bônus da felicidade.
Piaf foi o que deve ser um grande artista, sensível até seus ossos. Sua artrite deve ter sido o reflexo da intensidade dos seus sentimentos, que não paravam na derme, epiderme ou endoderme, mas atingiam o mais profundo da sua alma. Nada de amores superficiais do tipo fast food, que se resolve ao fim dos 200 capítulos da novela, onde todos são felizes para sempre. Não isso na vida real. Romeu e Julieta foram mártires de um amor fugaz e a promessa da eternidade.
Cazuza, Maysa, Amy Whinehouse, Michael Jackson, Piaf, entre tantos outros artistas sofrem da dor dos amores vividos com intensidade não suportado pela delicadeza de suas almas de artista. E nos contentamos ver sua glória e desgraça, agradecendo aos céus por não termos sofrido dores tão profundas, e por nossas cicatrizes nos terem permitido continuar a viver.

Somos vítimas de nossos amores superficiais e sociais. Eu quero mais. Quero um amor eterno num reino distante, e que não seja levado pelo destino, mas que eu possa ter a alegria de manter ao meu lado pela vida. Quero a sensibilidade do poeta para entender o amor perdido, e a força para recomeçar do zero sempre que for preciso, independente do mal ou do bem que me fizerem, que eu tenha sempre um conselho a seguir, independente da idade, de amar. Sempre. Ame.

Mesmo assim acreditou no amor

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

The final goodbye

Essa semana ando meio carente, pois a um tempo estou em busca de um novo amor, para poder reescrever a historia da minha vida. É importante esclarecer que não fui o melhor dos homens no meu último relacionamento, em que errei os piores erros que poderia, mas descobri isso tarde demais.

Mesmo assim, fui perdoado. Mas não consegui conviver com a imagem dos meus erros deitado ao meu lado na cama. Foi demais para um perfeccionista como eu.

Hoje ouvi que encontrara um anjo que só trazia felicidade. Hoje me senti desamparado. Hoje tive vontade de sair correndo, e voltar ao passado e não cometer aqueles erros e quem sabe permanecer ao teu lado. Hoje gostaria de ter distanciamento dos fatos. Mas não consegui nada disso. Não poderei ter outra historia com a mesma pessoa.

Mas a minha vida nunca foi guiada pelo passado, e sim pelos fatos presentes e pela pretensao de um futuro. Hoje me livrei do último artefato que me prendia àquele amor que passou. Hoje dei fim ao símbolo do teu perdao e da minha vergonha que andava comigo na carteira. Hoje terminei o que devia ter terminado a tempos. Nosso relacionamento foi bem sucedido apenas pelo fato de eu ter me conhecido e descobrir que certos erros eu não sei cometer, que só pelo fato de ter cometido aquele erro, já deveria ter posto fim a tempos à essa história, que não pertence ao agora ou ao amanhã, e apenas ao ontem e antes.

Agora é o meu Adeus final da nossa história, com o nosso símbolo deixado para trás, em toda literalidade, numa rua em São Paulo. Não carrego mais aquele anel que eu ganhei. Hoje me livrei do meu pecado. Hoje me perdooei, pois sei que seu anjo irá te fazer feliz como eu nunca seria capaz de fazer. Hoje sem voce saber dei meu adeus final, e finalmente estou habilitado para abir meu coraçao para um novo amor que se aproxima. Sem você saber, hoje, me fez terminar a nossa história que vivia de forma platonica em mim, talvez por medo de ficar sozinho pela eternidade. Hoje terminei esse capítulo e começo um novo. Sou um novo homem, que continuará a sonhar.

Não é fácil deixar histórias de amor no passado, principalmente quando se está sozinho, é fato que o lívrio arbítrio neste caso fica prejudicado pelo medo da solidão, que embora nunca tenha feito parte da minha alma esteve me acompanhando nos últimos dias em que ocorreram tantas mudanças na minha vida. Se o próximo relacionamento ou os que vierem darão certo, não faço idéia, e essa incerteza oxigena meu coração que bate forte, provoca a sensação de borboletas no estômago, me deixa ansioso. Tudo pode acontecer, como sempre pode. Mas agora me divorciei do medo da solidão.

Desejo a você boa sorte, e a mim um amor que valha a pena.

p.s.: desculpem a carta tão pessoal, mas é a única forma de exorcizar o que ocorreu essa semana.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Youpix

Um homem em crise, mas sempre indo a lugares e conhecendo novas pessoas, novas ideias, e conhecendo a minha musa inspiradora deste blog: Rosana Hermann. Me senti um tonto falando com ela, como um fã, mas é a única coisa que consegui fazer... enfim, é desses papeis que vivemos a vida!

Rosana, muito Prazer!

domingo, 30 de agosto de 2009

Crise de Amor

Lendo um texto, que teoricamente foi escrita pela Oprah Winfrey, sobre os relacionamentos, fiquei pensando os relacionamentos de pessoas próximas a mim, e sobre os meus relacionamentos, e sobre o que o texto dizia.

Os relacionamentos dão certo, por um período, e podem acabar, por que um dos dois não estava na mesma sintonia que o outro, apaixonou-se por outrem, ou simplesmente porque a paixão acabou. Mas não quer dizer que não deu certo, por algum tempo eles foram felizes, compartilharam planos de futuro, situações do presente e lembranças do passado, dormiram de conchinha, e em camas separadas, brigaram, fizeram as pazes, amaram e se odiaram como só os amantes podem fazê-lo.

Quando terminamos um relacionamento sofremos profundamente, chegamos ao fundo do poço, que tem altura proporcional à profundidade do sentimento que nutríamos. Mas eles deram certo pois aqui temos a oportunidade de melhorarmos para os próximos relacionamentos, para que os próximos amores sejam mais bem aproveitados. Existe o risco de esquecermos do processo evolutivo e não se permitir amar novamente, não com intensidade, não do jeito que merecemos. O amor da nossa vida pode estar na próxima esquina, naquele beijo roubado, naquele telefone pedido. Mas para isso é preciso dar a chance e estar pronto para encontrá-lo.
Um relacionamento baseia-se na sintonia das duas pessoas, em estarem dedicadas a amar, e a ginástica para isso é dificil. Amar e continuar com uma pessoa é uma decisão que merece suor e lágrimas, é escolha, baseado na incerteza do futuro, mas na felicidade do presente. Conquistar todo dia o mesmo amor é complicado, pois o outro nos conhece bem, sabe nossas artimanhas, defeitos, fraquezas, sabe nossos limites, e às vezes nos conhece melhor que nós. Ter um novo amor por estação é renovador, mas é fácil, o nível de entrega é menor, não precisa expor-se, não precisa ceder um pedaço do coração, é confortável, não é preciso convidar a entrar na sua vida para sempre nem que conheça seu infinito particular.
É comum uma das partes demonstrar mais intensidade no amor que o outro, mas longe de ser amar mais ou menos intensamente, é amar diferente. Cada ser humano, de acordo com as suas histórias, tem um tempo para ir destravando todas as portas até o coração, outros tem mais facilidade em dizer o primeiro "eu te amo", mas nenhum deles está certo ou errado, mas está dentro das suas circuntâncias. Há várias formas de amar, cada um sabe expressar o seu amor de uma forma única, assim como há escritores, pintores, escultores com estilos diferentes, as pessoas amam de formas diferentes, mas nenhum artista é menos sensível que o outro, e há público para todos eles.
Há pessoas que desejam, como prova de amor, uma dedicação com 100% de investimento emocional e temporal do outro. Isso não existe. Temos amigos, família, carreira, estudos, trânsito, prazeres individuais nos hobbies, individualidade existencial, etc. Precisamos de um tempo longe, para essa liberdade nos prender, como cantou o Jota Quest, pois voltamos para quem amamos. Sabendo que há vida lá fora, e que voltar é decisão minha. Precisamos priorizar nossos amores do presente, sem compará-los ao passado ou aos amores platônicos perfeitos. Amar o objeto do nosso amor pelo que é e pelo que representa hoje, e nada mais.
Os amores podem ser de cinema ou novela, intensos, vívidos complexos, outros podem ser romances de verdade, da vida cotidiana, mais tranquilos, e nem por isso menos verdadeiros.
O Amor é heterogêneo, é belo, é profano, é santo, é intenso, é de pai e mãe, de irmão e amigo, é de um dia ou uma vida inteira, é água, terra, ar e fogo, tudo junto e agora. Mas é acima de tudo essencial, e por isso mesmo "invísivel aos olhos", e indefinível por natureza.
Por isso, mesmo tudo sei que meus relacionamentos passados deram certo. Pois aprendi muito com eles.

domingo, 16 de agosto de 2009

crise do elogio

Dia desses percebi quão dificil é receber um elogio. Uma crítica é praticamente intragável, mas é necessáriom, te faz crescer, ver por outro ponto de vista, principalmente se for uma crítica construtiva, e de alguém que você confia e gosta, mas qual a função do elogio?
O elogio serve basicamente para salvar o nosso ego dos abismos da auto-estimae infla-lo. Não precisa baseiar-se em criterios objetivos e nem na verdade, pode estar fundamentada exclusivamente na vontade do outro em puxar o saco ou ganhar a confiança. Os elogios são perigosos demais e deveria ter aviso de ser utilizado com moderação.
Vivemos num país que a imagem é o alicerce de muitas carreiras, personalidades, etc. E essas pessoas vivem cercadas de pessoas que não estão interessadas em dizer a verdade, mas de dizer apenas e exclusivamente o que o "astro" quer ouvir.
Muitas carreiras, em varios níveis são destruídas por isso, pois a pessoa acredita que chegou ao topo da carreira e do conhecimento e se deixa ultrapassar por qualquer novato inexperiente e burro por simplesmente se achar inatingível e incapaz de ter novas idéias. Diz-se que o Mundo se movimenta pelas perguntas e não pelas respostas, e quando se acredita fielmente nos elogios, esquece-se fazer as perguntas.
Esse é o problema dos elogios, acreditar que você é lindo, elegante, inteligente, inatingível, um semideus e que nada poderá te tirar do olimpo.
É bom receber elogios, mas é mais importante saber lidar com isso, e sobreviver dignamente com eles. Diz um ditado que os desafetos escrevemos na areia e os amores em pedras, eu acredito que os elogios devem ser tratados como os desafetos, e serem escritos na areia, para que o mar da verdade possa limpa-los com facilidade.
No passado, tinha muita dificuldade em aceitar elogios, sempre os negava, respondendo: imagina, não sou bonito/inteligente/bom nisso ou naquilo, o fulano é mais belo/inteligente/etc do que eu. Mas aprendi que os elogios, por mais cinicos e falsos, devem ser aceitos, digeridos, e eliminados, mas nunca levados como verdade.
Reza a lenda, que Cesar tinha um funcionário ao seu lado em todos os eventos públicos em que era ovacionado pelo seu povo, que ficava ao seu lado lembrando que ele era humano, normal e valível, e que aquilo tudo era passageiro. Isso era para maner a sanidade do grande imperador. Claro, não podemos dispor de um servo tão leal, mas podemos olhar para o espelho e ter certeza, que embora sejamos especiais e únicos em nossas qualidades, também o somos em nossos defeitos.
Somos formados por uma complexidade maior do que simplesmente os elogios que recebemos e a imagem que os outros fazem de nós. E normalmente nós nâo nos conhecemos profundamente, pois gostamos de nos olhar pelas lentes dos nossos algozes elogiadores, queremos acreditar que aquilo é verdade, e esquecemos de nos aprofundar em nossas caracteriscas mais obscuras e menos elogiáveis.
Receber um elogio é ao mesmo tempo um alimentador do nosso ego, mas é sem sombra de dúvidas, um alimento traiçoeiro, que deve ser consumido com moderação, e que deveria vir com esta recomendação na embalagem, com fotos deprimentes, tal como no cigarro.
Mas por favor, elogiem o post.

sábado, 8 de agosto de 2009

crise do ninho

Nos próximos dias estou de mudança. Saio da casa dos meus pais e aos 31 anos irei morar sozinho. Não é uma decisão fácil. Não é um momento tranqüilo.

Essa decisão traz, por si só, uma série de mudanças práticas na vida. A partir de agora eu preciso comprar e fazer a minha comida. Pagar a luz, telefone, TV à cabo, a faxineira, o conserto eventual de um equipamento. Preciso arrumar a cama, limpar o banheiro. Preciso crescer e tomar conta da minha vida por mim mesmo, saindo da barra da saia da minha mãe e das calças do meu pai.
Além das mudanças práticas, há a mudança emocional. Não terei mais com quem conversar ao chegar em casa, pelo menos até arrumar um amor para chamar de meu, ninguém para implicar com meus sapatos espalhados pelo meu quarto ou banheiro. Ninguém estará preocupado se vou para jantar ou a que horas cheguei em casa. Ninguém para brigar ou fazer as pazes. Ninguém para me dar remédios quando doente, exceto se for grave o suficiente para ir ao hospital ou pedir socorro.

Morar nas casas dos meus pais é confortável demais. Não me preocupo com nada, apesar do meu salário, não pago contas, não me preocupo com a manutenção das contas do lar, a roupa é lavada, passada e guardada sem eu tomar conhecimento. Há sempre o que gosto de comer na geladeira ou dispensa. Sempre um chá quente nos momentos de crise. Não terei mais isso.

Por outro lado, morar sozinho me proporcionará liberdade de acertar e errar por mim mesmo, a começar pela decoração, compra de eletrodomésticos, as compras básicas, a pesquisa de preços das compras do mês. Proporcionará-me a experiência de tomar conta da minha vida, para então poder tomar conta de um departamento, de gerenciar pessoas, desenvolver novos talentos, sair da zona de conforto.

Claro, sou o primeiro da família toda a fazer isso. Os demais seguiram o padrão familiar, nascer, crescer, casar, reproduzir, eventualmente separar, casar de novo, reproduzir, e morrer. Não nasci para isso. A partir do momento que mudamos de Estado e Cidade, rompi de vez os laços do tradicional. Nasci, cresci e rompi com o tradicional. Estudei, me formei, escrevi um livro, me pós-graduei, trabalhei, viajei, amei, rompi, me relacionei, terminaram comigo, trabalhei demais, conheci pessoas interessantes, estive no meio da história, na geração cara pintada, fui a shows, vi arte, cultura, moda, ouvi músicas que os pares não fizeram. Não sou melhor nem pior, mas diferente.

As minhas experiências pessoais e culturais me tiraram do trilho da tradicionalidade. Romper com isso não é fácil, pelo contrário é doloroso, como é doloroso ser diferente em tudo, seja na religião, “opção” sexual, profissão, cor, e demais aspectos que podem nos tornar único. Vivemos um mundo de massificação cultural e ser diferente é dolorido, mas não menos normal que os “tradicionais”.

Gosto da diferença, de ser diferente, de tentar, ao menos tentar, pensar por mim, pelas minhas convicções, vontades, desejos e anseios. Vivo e trabalho num mundo corporativo tradicional, de uma carreira padrão, venho de família classe média de comercial de margarina: mãe dona-de-casa, pai provedor, irmã casa e professora e eu advogado. Não desmereço o padrão, pelo contrário, adoro tudo isso, e trabalho para manter o padrão social financeiro, mas não me peça para acompanhar o que todos assistem, e fazer o que os demais fazem, simplesmente não posso.
Eventualmente freqüento os lugares da moda, me visto com roupas da moda, etc., mas não só porque está na moda, mas porque é lá que eu encontrarei meus amigos, e com aquela roupa que me identificarei com meus iguais nas diferenças, na minha turma. Mesmo os diferentes são iguais em alguma coisa.

Sair do ninho aos 31 anos não é fácil, como não o é aos 18, aos 21 ou aos 40, mas em algum momento, será necessário. Dizem alguns sociólogos que os 30 de hoje são os 20 do passado, que é aqui que termina a adolescência, que os filhos saem do ninho de segurança da família, seja casando, seja mudando, viajando, etc., mas aos 30 fazemos o que nossos pais fizeram aos 20. É doloroso e desconfortável, mas é necessário.

Acredito que o fato de perder o contado diário com meus pais melhorará significativamente a qualidade do nosso relacionamento, que considero bom, mas que sem o desgaste diário transformará os momentos de encontro em momentos muito mais especiais. Ambos os lados irão valorizarão imensamente aquele instante de encontro, mas sabe que daqui a pouco um dos lados irá embora para sua casa.

Há neste momento a crise do ninho vazio para meus progenitores, que devem estar morrendo de receio do que poderá acontecer comigo nessa empreitada. Para mim há a crise de deixar o ninho, o medo de não conseguir bater as asas forte o suficiente e não voar, de ter de voltar ao ninho até fortalecer mais os músculos e tentar novamente. Há crises e paixões demais em tudo que envolve esse momento, o que pode causar transtornos que não desejamos, mas que é a forma que temos de demonstrar nosso desespero, medo de tudo dar errado, e com família não modo ou jeito de ser racional, sempre se age passionalmente, intensamente.

É um daqueles momentos que sabemos que nossa vida tomará novo rumo, é uma daquelas encruzilhadas que temos consciência. É o ponto de mudança. Nem sempre temos essa consciência. Mas hoje posso dizer, que a minha decisão de 2 anos atrás de comprar um apartamento, torna essa encruzilhada real hoje. Poderia simplesmente vende-lo e ganhar com a especulação, mas pelo contrário, torno neste momento real a minha decisão.

Estou esticando as asas para levantar vôo do ninho. A altura é elevada, assim como os riscos, o coração dispara, a adrenalina eleva-se. O momento chega. E num segundo, deixo o ninho para viver a minha vida. E tal como todos os empreendedores da humanidade, darei um pequeno passo para a humanidade, mas um enorme passo para um homem.

Que os deuses e anjos me acompanhem, e que o salto seja pacífico. Porque o amor dos meus pais, isso já garante o céu de brigadeiro enquanto estiver voando.

sábado, 25 de julho de 2009

Crise de dicotomia

Conversando com uma boa amiga, discutíamos as diferenças de opinião e pontos de vista a que somos submetidos diariamente. Normalmente vemos o mundo de acordo com uma única lente, com aquela que traz as nossas verdades, nossas circuntâncias. E normalmente estamos cercados por pessoas que têm uma perspectiva parecida, tanto na vida pessoal como na profissional, pois buscamos os nossos semelhantes para convivermos.

Ocorre que de vez em quando, na frequência do cometa harley somos colocados diante de pessoas diferentes de nós, e pessoas por quem possuimos afeição razoavel, e que está inserida no nosso meio, elas meio perdidas nas nossas percepções e nós perdidos em suas visões.

Essas confrontações com nossos "pré-conceitos" é útil para reavaliarmos as nossas posições e dogmas e colocarmos à prova os outros, mas é imprescindível que estejamos preparados para esse tipo de proposta de mudança. De nada adianta colocar uma pessoa não preparada para discutir filosofia com Freud uma descrente em filosofia, ou mesmo física quântica com um cientista uma analfabeto funcional na arte da matemática.

Para que haja sorte é necessário ser a pessoa preparada no momento adequado, e até para termos a possibilidade de evoluirmos em nossos conceitos, mudá-los ou até mesmo sedimentá-los diante de inquisição dos porques trazidos pelo sopro de novidade de um pensamento diferente, é necessário estarmos abertos à novidade, assim como é necessário estar aberto ao amor para se namorar.

A sorte de encontrar uma pessoa com quem se possa manter um nível razoável de conversa já é complicado em demasia nos dias de hoje, e na era da comunicação e da internet em que cria-se vários guetos é muito mais complicado encontrar alguém que se possa manter uma conversar dicotômica, em que ambos têm argumentos razoáveis, mas diferentes sobre algum assunto.

Vivemos na era dos barulhos, em que encontramos nosso grupo em ambientes com tantos ruídos que nos impede de mantermos comunicação de boa qualidade por um tempo razoável. Somos qualificados por nossas profissões, posses, estilo de vestuário, mas não pelo nosso conteúdo, modo de perceber o mundo, opiniões pessoais.

Qualificamos as pessoas nos primeiros 30 segundos de conversa. Desejamos pessoas que se encaixem em nossos desejos íntimos. Colocamos empecilhos em quaisquer defeitos que percebemos nos outros. Não damos oportunidade de nos ensinarem um novo ponto de vista.

Somos tão presos aos nossos padrões, que esquecemos de dar chance aos outros. Mas quando isso acontece, rejuvenescemos nossas mentes e corações, trocando nossas lentes embaçadas pela gordura do tempo e a sujeira do preconceito. Mas isso é tão dificil. Mas vamos dar um passo, ouvir uma musica que não é o nosso padrão, ir a um lugar diferente, experimentar um tempero novo, beijar uma pessoa diferente do nosso padrão, e quem sabe possamos entender o outro melhor, e ver que o seu ponto de vista, mesmo quando não aplicado à sua realidade, também é verdadeiro e legítimo

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Crise de Férias

É interessante a sensação de estar em férias enquanto estão todos os demais estão trabalhando. Normalmente não desligo tão facilmente das coisas de trabalho, mas é um exercício interessante tentar se desligar das coisas de trabalho e da vida cotidiana... o rodo cotidiano, de acordo com o Rappa.
Férias servem, segundo os especialistas, para se recarregar as energias. 30 dias de descanso para suportar os outros 335 dias em que se trabalha 12 horas por dia. Para Domenico Demasi é um momento de criatividade, pois só no ócio se é capaz de relaxar, pensar, repensar, deixar os sonhos voarem, os neuronios exercitarem suas conexões menos utilizadas, é quando podemos pegar as estradas vicinais do pensamento e encontrar novas soluções para velhos momentos.
Fazia um tempo que não tirava férias, pois quando estava no momento de tirar férias, mudei de emprego e não tive direito ao merecido descanso. Logo, como os demais mortais não pude descansar, e passei um ano intenso desbravando novos horizontes na empresa. Chega o momento de descansar, mas devido à gripe, não posso ir à Argentina, EUA ou Europa, e ultimamente nem a Porto Alegre, pois corre-se sérios riscos.
Não posso viajar por motivos pessoais, estou num momento de transição para um novo patamar, para um novo desafio, e estou investindo forte nisso. Todas as minhas energias e economias estão direcionadas a esse aspecto.
Mas férias é mais do que esbaldar-se em um resort maravilhoso no Caribe (o que eu gostaria muito de poder fazer), é um momento de descansar a cabeça, renovar o espírito, deixar a mente nos levar por direções desconhecidas, viajar mesmo que seja sem pegar o passaporte ou cruzar as fronteiras da cidade.
Férias, é momento de prazer pessoal e descompromissado, de internar-se vendo todos os filmes da temporada, colocar os DVDS em dia, a leitura em ordem. É momento de amar-se mais do que responder os emails de trabalho. É momento de fazer coisas para contar aos netos, é momento do prazer descompromissado.