domingo, 26 de junho de 2011

As tribulações de Virginia

Ontem fui no teatro, ver uma peça de um grupo espanhol, chamado  Hermanos Oligor, que conta a historia sem final feliz de Virginia, que queria ser bailarina. Pois bem, dois momentos me marcaram na peça, mas falarei apenas de um, o outro é deveras pessoal.

Em um determinado momento da peça, o ator pergunta ao público qual foi o exato momento da sua vida que você se deu conta que não era mais criança, quando é que perdeu a ilusão do lúdico, em que percebeu que as coisas não era mais tão simples. O silêncio na platéia foi sepulcral, ninguém conseguiu responder.

Eu fiquei com a pergunta na minha'lma por toda a noite, embora estivesse envolto em tantas coisas na mente, não consegui esquecer. Eu sabia a resposta, eu lembro o momento, eu sei quando descobri que a vida não era mais uma fantasia, que as brincadeiras não aconteceriam mais da mesma forma, foi ali, naquele momento que perdi a inocência, foi ali que entrei no furacão, todos os meus passos me guiaram para onde estou hoje.

Até aquele momento meus passos eram apenas de evolução da infância, até ali eu cresci e vivi meus sonhos.... vivia o lúdico, brincava de guerra, paz, de ser famoso, rico, pobre e anônimo, era amado e amava quem eu quisesse. A vida de adulto não é assim, é cheia de altos e baixos, os monstros que habitavam debaixo da cama, agora estão na sala de reunião, na mesa da frente, do outro lado da linha. Agora fingir que sou rico impacta na fatura do cartão de crédito. Não sou famoso, nem sou anônimo. Já amei e fui amado.

O que mexeu comigo foi a possibilidade de manter a vida adulta lúdica, no meio do mundo corporativo. Será que essa liberdade poética está restrita aos músicos, atores e artistas em geral? Será que os mortais podem manter esse sentimento?

Sinto que estou no direito de me sentir sonhando novamente. Acreditar no amor, talvez seja esse o lúdico do adulto.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Crise da Maturidade


E entao um dia voce acorda e descobre que o que mais deseja e estar com aquela pessoa que deixou escapar das suas mãos e por culpa totalmente sua. Qual a melhor coisa a fazer? Nao existe resposta fácil a essa pergunta, e nao sou eu que darei formulas magicas para resolver. Mas eu passei por isso e tomei a minha postura, a minha atitude.

Nos ultimos tempos estou com "excesso de honestidade", normalmente sou um cara tímido, com dificuldades de comunicacao verbal quando o assunto e sentimento, magoas e afins, mas que ultimamente tem se utilizado de um artificio que tem se mostrado eficiente: falar desarmado, sem a intenção de magoar e apenas querendo esclarecer da melhor forma possível. Vamos nos magoando com o passar das horas e dias, acumulando um peso que nao nos pertence ate que um dia isso vira uma doença.

Pois e, num processo que eu chamo de maturação, pois estou me tornando uma pessoa mais madura, principalmente nesses ultimos dois anos, eu resolvi, ao final desse ciclo mudar algumas posturas diante da vida, dentre elas, deixar de carregar bagagens desnecessárias, consumo mais consciente (embora ainda seja um pouco consumista e com gosto pelo que e bom) e mais liberdade de pensar e agir, sempre dentro de regras éticas, e diminuição de magoas.

Pois e, nesse processo todo, pude intensificar relacionamentos que estava perdendo, me reaproximei de pessoas que estava perdendo contato, voltar a sorrir mais leve e dormir melhor. Nao e uma mudança fácil, mas dias atras estava lendo um texto do Paulo Coelho e ele dizia que se nos esforçássemos 10 minutos do nosso dia para sermos quem nos desejamos ser, isso já seria um grande passo. E concordo com ele, neste sentido... Para desejar a mudança e preciso esforçar-se em mudar. De nada adianta fazer promessas de réveillon se nao agimos no sentido de cumprir. Estou me esforçando em ser a pessoa que eu gostaria de ser.

A minha promessa para 2011 e muito simples: ser feliz em todos os aspectos: familia, amor, trabalho, dinheiro, cultura. Nao sera fácil mudar tudo isso. Abrir a mente, conhecer pessoas, lugares, culturas, economizar, dedicar-se as coisas que realmente importam, de forma focada e exclusiva em cada uma delas. Mas acho que estou no caminho certo. Meu coração diz isso, pelo menos estou me esforçando no que eu acho que vale a pena.

Já dei os primeiros passos, pedi desculpas a quem devia, perdão a quem a merecia e declarei-me a quem valia a pena. O que ira acontecer daqui em diante nao pertence apenas a minha responsabilidade, e também dos outros, que precisam me entender, me dar oportunidades, me perdoarem se acharem que valho a pena.

O processo de purificação nao precisa acontecer longe de casa, na Índia, China, no caminho de Santiago de Compostela, ou afins, tem de acontecer no lugar de mais dificil acesso que ja ouvi falar, e que nao tem pacote de viagens ou guias com bandeirinhas para indicar o caminho: o coração! E lá que as coisas devem efetivamente acontecer, e onde e mais dificil de conseguir.

As mudanças externas sao fáceis, e só seguir a revista da moda, falar alguns chavões da nova auto-ajuda, usar a roupa, cor e textura da moda e sempre estara atualizado, mas a questão e saber se isso e voce mesmo ou se e um dos personagens criados para a sobrevivência no mundo atual, corporativo, capitalista e da mídia e sucesso de 15 minutos para todos.

O ponto de mudança só vale a pena quando se tem uma mudança interna com reflexo nas atitudes reais, em como voce enxerga o mundo e como e visto pelas pessoas que falhem a pena.

Nesse processo, estou fazendo a minha parte, mas dependo dos outros perceberem o quanto mudei e amadureci (mesmo ainda longe do meu ideal) e que eu mereço uma segunda chance de provar que eu mudei também.

Há uma música de Edith Piaf (Non, je Ne regretten rien), que diz muito sobre esse momento, sobre nao importar o bem ou o mal que me fizeram, as minhas lembranças, o que vale e o novo, o recomeço. E isso que espero, um recomeço.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Crise de Chegadas e Partidas

Assim como diz a música interpretada pela Maria Rita, a estação é o local onde acontecem as chegadas e partidas, onde as pessoas chegam e seguem viagem, onde há despedidas, mas também reencontros. E é nesse ponto que quero me prender, os reencontros.


Estava no portão de desembarque do aeroporto de SP esperando meus pais e fiz um dos meus esportes prediletos: observar as pessoas, não com o simples interesse fofoqueiro, mas como um aprendizado da vida, e percebi a intensidade do sangue latino que corre nas nossas veias, com os reencontros ocorridos ali, naquele espaço público, em que não há vergonha para as lágrimas dos mais durões.


Enquanto observava, uma familia esperava ansiosamente a volta do filho que fora fazer intercambio em Londres, Inglaterra. Ali, o sentimento era uma mistura de orgulho, pois provavelmente foi o primeiro da família a romper a barreira do oceano para melhorar de vida, aprender uma nova língua e tornar-se cosmopolita, e o sentimento de saudades, de querer ter sempre perto a pessoa amada, mas que mesmo longe não fez apagar o sentimento da familia e amigos. Uma faixa estendida por uma das pessoas do grupo dizia em inglês algo como “não importa onde você esteja, em Londres ou aqui, eu sempre te amarei”. A força dessa frase derrete os mais congelados corações.


Do meu lado estava uma mãe e dois filhos, acompanhados da família nipônica. Aguardavam de forma ansiosa o retorno do pai e marido, que não viam a 4 anos, na sua última visita ao Brasil. Foi morar no Japão para dar condições melhores à família. A ansiedade da esposa, com saudades do beijo do seu marido, e ao que pareceu aos meus olhos do seu amor de verdade, saltava aos olhos. Os filhos, não se continham na ansiedade e embora, para mostrar toda a “macheza” da pré-adolescência juravam que não iriam chorar, estavam gelados, ansiosos, e embora eu não tenha visto a chegada do pai/marido, tenho certeza que as lágrimas não se intimidaram pelas promessas.


Mais adiante um rapaz solitário segurava o buquê de flores para uma pessoa amada. A saudade estava estampada nas rosas vermelhas, cor de paixão, que ele escondia cuidadosamente nas suas costas, para desvendar apenas no momento do abraço apertado.


Uma familia, parou o corredor de desembarque em abraços apertados aos parentes Espanhois, que acabaram de chegar de Madrid, a saudades deles era enorme, era Latina, o reencontro foi emocionante.


Essas histórias me fizeram refletir sobre a existência da palavra saudades existir apenas na língua Portuguesa. No ingles, você sente falta, nós também, sentimos falta de sorvete no verão, de água quando temos sede, mas é um sentimento menos nobre, mais ordinário. A Saudade é mais. Dói como paixão, certas vezes com a certeza de que irá desaparecer quando o avião pousar, o ônibus estacionar o trem parar, a porta se abrir e o abraço for dado. Outras vezes sabemos que a saudade não será jamais eliminada, pois a viagem foi sem volta, o enterro feito, a missa rezada e a vela acendida.


A saudade não é um sentimento exclusivo de quem fica, quem vai também carrega consigo na bagagem de mão, perto do coração, mas está enebriado pelas experências, entorpecido pelo jet leg, cansado da viagem.


É certamente, a saudade, é um dos sentimentos mais dificieis de lidar, pois, em sua maioria, independe de uma ação sua. Há o conformismo, o tempo que transformam a saudade em sentir falta, e talvez um dia, numa lembrança doce de um sorriso espontâneo e a foto instantânea colocada no porta retrato.


Nenhuma daquelas pessoas que desembarcaram ontem eram as mesmas que se foram um dia. Evoluíram, tiveram experiências, espera-se que tenham crescido, conehceram lugares, pessoas, perfumes, sabores. Quem espera, também mudou. Mas a junção da saudade de quem volta e quem espera, transformado em um abraço apertado, uma lágrima no olho, um sorriso no rosto faz com que só se perceba o essencial que retorna. Aquele coração para perto. Aquele amigo, pai, irmão, marido, mulher, filho que está no aconchego dos braços.


O desembarque é onde eu tenho a certeza de que ainda há sentimentos puros na vida cosmopolita e digital da contemporaniedade.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Crise do que poderia ter dado certo

Sempre, nessa época do ano, todos fazemos um balanço do que aconteceu em nossas vidas e planejamos os novos passos, os projetos que queremos concretizar no ano que se aproxima... o reveillon tem o efeito renovador de esperanças e energias, é o momento mágico em que esquecemos o cansaço de tudo que passamos e ficamos prontos para encarar tudo que esta por vir.

Aproveitando a época e o fato da minha licença médica, resolvi organizar umas fotos no computador e revisitei alguns momentos da minha vida e pessoas que passaram por ela e fiquei pensando: será que poderia ter sido diferente? era o amor da minha vida?

Faz tempo que desconfio do amor puro e sem nenhum interesse secundário, há muito mais do que a simples magia holywoodiana nos relacionamentos que vejo por aqui, há outros interesses... sempre.

Mas nessa reavaliação fotográfica sempre fica a dúvida se aquele momento de felicidade captado em alguns pixels poderia ter se prolongado pelo resto da vida, se o amor da minha vida está ali, naquela pasta digital do meu notebook, se aquele sorriso capturado naquele instante é o sentimento real do momento.

É fato que a felicidade é efêmera, de um modo que não gostamos, e que nas fotografias queremos transparecer o nosso melhor, escolhemos o angulo, ajustamos o sorriso e mantemos ate que o flash se apague no milésimo de segundo seguinte e depois disso, tudo volta ao normal, sem choro nem vela.

Olhando esses momentos aparece a dúvida se aquele momento, que parece irreal, teria se prolongado, onde perdemos a conexão com a felicidade, o que nos fez perder o rumo do relacionamento, porque mesmo terminamos com alguém que nos fazia tão feliz. Era, aquela pessoa que nos fez tão feliz naquele momento, o amor das nossas vidas, dispensado por uma questão menor que não conseguimos superar no passado, e que nos faria tão felizes até o momento presente?

É claro que essa dúvida coexiste com todas as pessoas do nosso passado, o que, de certa forma, nos conforma, pois, mesmo contradizendo o meu conceito de amor rodeado de interesses, apenas com o amor que vale a pena do nosso lado não existe a dúvida, sabemos que é a pessoa certa, com quem conseguiremos superar todos os problemas e evoluir num relacionamento até que a morte nos separe. 

Enquanto resta a dúvida de poder ter sido perfeito é porque ainda devemos prosseguir solteiros. Com a esperança de que um dia teremos a certeza de que estamos acompanhados da pessoa certa, pelo resto de nossas vidas, ou até que o próximo flash fotográfico se apague.

sábado, 2 de outubro de 2010

Crise da Lei natural

Um dia ou outro acabamos nos separando das pessoas com quem convivemos, seja da família, seja dos amigos ou dos colegas de trabalho e isso ocorre por diversos motivos, pois temos uma vida agitada e deixamos de ver os amigos, porque mudamos de casa, de Estado ou de País. 

Partimos porque a vida nos leva para novos caminhos, tornando nossos encontros pequenas paradas em estações da vida, paramos, deixamos algumas pessoas, nos encontramos com outras e embarcamos no próximo trem, para mais uma escala de viagem. Algumas pessoas que achamos que ficaram lá atrás, percebemos que estão no mesmo trem, alguns vagões atrás, mais longe do que gostaríamos, mas nos acompanhando sempre.

Algumas despedidas são apenas momentâneas, pois encontraremos aquela companhia numa estação logo ali na frente, outras são eternas, em que vestimos nossas roupas de luto e deixamos rolar lágrimas de despedidas de quem nos é tirado no meio do caminho, sem pedir autorização ou dar adeus de forma correta.

A ordem natural da vida é que os filhos enterrem os pais e esses enterrem os avós, que enterram os bisavós, e assim sucessivamente... mas o que fazer quando a regra e quebrada? Como superar a dor da perda de um filho, quando se sabe que ele está no auge de sua juventude, com tanto a conquistar, conhecer, aprender, e às vezes até chorar? Como superar a dor da perda de uma jovem alma? 

Vejo pessoas desoladas enquanto choram seus cadáveres ausentes de rugas, com cheiro do leite na boca, com a virgindade de maquiagem no rosto ou sem ter experimentado o cheiro do pós-barba e não sei como confortar suas almas, o que dizer, além de desejar meus mais sinceros pêsames e rezando para que o seu Deus, independente da religião, consiga confortar aquela alma despedaçada e que um dia reduza a dor daquele coração a uma saudade intensa mas rodeada da alegria da memória dos bons momentos.

Lidar com perdas não é fácil, mesmo sabendo que ainda terá a chance de encontros ocasionais pela vida, em que se poderá retomar o relacionamento naquele exato ponto em que foi deixado algumas estações atrás, que em algum momento de vida tudo poderá ser reativado a partir de um café, um almoço, um encontro que pode ser mágico em diversos aspectos e nos salvar da solidão.

Contudo, as despedidas eternas que não nos permitem manter a esperança desses encontros casuais e mágicos e nos deixam tristes,  mas não podemos ficar desolados com a sensação de descontinuidade da vida. Precisamos olhar diante das lentes de tristeza que usamos nesse momento e ver que algum dia o céu voltará a ser azul, o sol voltará a brilhar e os pássaros cantarão novamente.

As despedidas são necessárias, mesmo quando não as desejamos, mas a superação é essencial para se continuar a viver, mesmo que no começo tenhamos a impressão de que nada vale mais a pena.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Crise de 1 ano morando sozinho

Ontem fez 1 ano que mudei para o meu apartamento e fui morar sozinho. De acordo com os padrões do primeiro mundo, sai um pouco tarde de casa, já que não precisei sair de casa para fazer faculdade, pós-graduação, trabalhar, etc., já considerando como padrão os países latinos, saí prematuramente do ninho confortável dos meus pais.

Saí de casa em condições muito diferentes de muitos amigos que saíram de casa casados, com uma infra-estrutura montada, lista de presentes em lojas famosas, comemoração, álbuns, etc., no meu caso foi sem comemoração, sem vídeos para a eternidade, sem lua de mel... um dia sai da casa dos meus pais e voltei para o meu apartamento.

Vivia na casa dos meus pais como um paxá, sem obrigações financeiras para o sustento do lar, encontrando roupas usadas milagrosamente guardadas, limpas e passadas no meu armário, a cama que deixei de arrumar ao sair pela manhã esticada e arrumada ao fim do dia. Comida caseira, TV a Cabo, internet de alta velocidade, e outros luxos de classe média.

A vida sempre foi boa. Mas como ser humano, sempre insatisfeito, deixei tudo de lado e fui seguir a minha vida de solteiro na cidade de São Paulo, claro que mesmo morando só tenho uma rede de proteção na casa dos meus pais, que é sempre um porto seguro quando as tempestades desabam sobre a minha vida, é lá que encontro o conforto e tranqüilidade para esperar a calmaria e abundância que seguem aos desastres. Minha aventura solitária é diferente de outros que saíram de casa e seguiram para quilômetros de distancia dos colos materno e paterno.

Entretanto, mesmo no meu caso, tive de aprender a lidar com a organização de uma casa. Chegar em casa cansado e ter de colocar a roupa para lavar, esperar acabar, e estende-la. Ir ao mercado comprar comida, produtos de limpeza, água, sob o risco de passar fome e morar no chiqueiro a encontrar os amigos para aquele happy hour que você precisava muito ir para beber e relaxar da vida diária. Foi agora que descobri quão caros custam os meus luxos, e ter de escolher entre comprar aquele objeto de desejo que está ali ao alcance do limite do cartão ou simplesmente pagar a TV a cabo, empregada, condomínio, luz, gás, IPTU, seguro da casa, do carro, dos eletrodomésticos, etc.

Cada dia descubro que preciso comprar um novo objeto para a casa que eu não sabia da existência a 12 meses atrás. Para que eu preciso de facas diferentes, potes, abridores, molhos, temperos, cremes, etc., se antes tudo se abria, limpava, organizava, cortava, cozinhava, sozinho??? Para que tantos carnes e contas?

Embora pareça pessimista, não é. Neste último ano, analisando diversos aspectos da minha vida, percebo que amadureci, fui obrigado, com certa dose de suporte familiar, a enfrentar o mundo e sua burocracia, a tomar decisões que dependiam de mim, não pude mais ficar apenas observando os outros tomarem decisão por mim. Precisei decidir, escolher e pagar. Precisei resolver.

Morar sozinho, embora mais caro do que viver na casa dos pais, ainda é vantajoso. Crescer se faz necessário. A liberdade se faz presente. A responsabilidade se torna obrigatória.

No balanço do que aconteceu, eu tenho a certeza de que os ganhos foram extraordinários, embora as perdas tenham sido grandes. Sugiro a todos... parabéns a mim por ter sobrevivido a 365 dias sozinhos em casa!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Sorte na Vida

Olhando para trás, depois de tanto tempo sem escrever, percebo que tantas coisas aconteceram na minha vida e percebo que sou um cara de sorte!

A questão está em definir o que vem a ser "sorte", pois muitos consideram que ter sorte é estar ali, no lugar certo e na hora certa, mas esquecem-se de que é essencial ser a pessoa certa também, na verdade é o aspecto principal da sorte, senão vejamos, do que adianta:

*  você estar no lugar onde o possível amor da vida está, se cruzam, mas você simplesmente não está pronto?
* você trabalhar numa empresa, abrir uma vaga maravilhosa para a promoção que você sempre quis, mas não tem os requisitos para tal (não fala inglês, nã fez aquele curso essencial, não estudou aquela matéria)?
* você tem a chance de explicar acontecimentos do passado, e renovar votos do amor, mas não está preparado para dizer as verdades essenciais?

A sorte está relacionada a estar preparado, é estar aberto às novidades da vida, às oportunidades de ser aluno novamente, para apreender novos conhecimentos disponíveis no mundo.

Eu sou professor de um curso técnico e me descubro aprendendo e apreendendo a todo momento com os alunos. Estou naquele exato momento de tempo e espaço transferindo uma dose mínima de conhecimento, mas absorvendo uma quantidade muito maior... sou consumido em doses fenomenais, saio esgotado energéticamente em 4 horas de aula, mas muito do desgaste é exatamente a quantidade de energia e conhecimento que eu absorvo, e isso consome, mas vale a pena, porque é ali um dos momentos em que me preparo para a minha "sorte".

Descubro a cada esquina que a vida me faz dobrar, a cada obstáculo que preciso transpassar que eu precisava daquilo para ir adiante, para o próximo desafio, tal qual o esforço que a borboleta precisa fazer para sair do casulo, é ali que ela se prepara para ter forças para voar. A vida é assim. Você se esforça para seguir adiante, para estar no lugar certo e na hora certa, sendo a pessoa certa, obviamente.

O engraçado é que, embora eu saiba disso, eu tenho a frieza para aplicar na minha vida profissional, no lugar onde a racionalidade impera. O problema é na vida pessoal. Quantas vezes eu estive na hora certa e no lugar certo para encontrar meu grande amor, e simplesmente não era a pessoa certa. Talvez tenha deixado a sorte passar em diversas oportunidades. Talvez todos esses momentos tenham sido simples preparação para este momento, e talvez este momento seja a preparação para o próximo.

A questão está em definir o que deixará por governar a vida: a ansiedade pelo futuro perfeito que pode se apresentar ou viver o presente em toda a sua plenitude, aceitando que a perfeição da vida é a imperfeiçao do agora.

Ter sorte é estar preparado agora para que a promoção ocorra e que o amor venha. É aprender com os erros e crescer para o futuro. É olhar em frente, sempre. Viver o momento intensamente. Guardar as lições no coração como lições apreendidas.

Os outros me chamam de sortudo, eu me considero vivido mas com muitas lições a aprender.

domingo, 20 de junho de 2010

Explicações

As férias no blog coincidiram com as minhas férias, realização de um sonho de criança e emendar numa louca rotina de trabalho e vida social agitada... tentarei voltar a programação normal essa semana!

Enquanto isso, torcendo pelo Brasil e a campanha pelo Hexa!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Soberba

De acordo com a Wikipedia "Soberba é o sentimento negativo caracterizado pela pretensão de superioridade sobre as demais pessoas, levando a manifestações ostensivas de arrogância, por vezes sem fundamento algum em fatos ou variáveis reais. O termo provém do latim superbia".

Fiquei pensando neste tema após ouvir a musica da Pink e que de alguma forma me tocou, talvez por ser esse o sentimento mais comum com quem tenho convivido ultimamente. Atualmente as pessoas estão tão preocupadas em ostentar o que tem, o que conquistam, que se esquecem de mostrar o que realmente são.

A soberba está tão instrínseca em nossa sociedade que apenas o fato de você levantar o tema já é fator de discriminação mais grave do que a diferença sexual, religiosa ou racial. É impossível não viver sem esse tipo de sentimento em nossa sociedade, pois é nele que demonstramos a nossa importância... mas a questão é a que preço.

Fico imaginando o que o povo pensa na ilha de caras, os motivos que levam um artista a ficar expondo-se de forma tão aberta senão para demonstrar quão melhor ele é do que nós, os simples mortais, que temos uma vida tão mais normal, insosa, desprovida de paixões e amores eternos e de vida feliz para sempre....

As pessoas estão tão preocupadas em mostrar-se descaradamente que é impossível preocupar-se em conhecer quem é internamente. É fato que para obtermos sucesso e felicidades precisamos, antes de sermos conhecidos pelo "público", de enorme nível de autoconhecimento, queremos sim ser visto pelas lentes alheias alegria e cores que nao enxergamos em nós mesmos. Queremos ser mais e mostrar muito.  Queremos manifestar ostensivamente uma imagem de revista de celebridades de sucesso, saúde e sorrisos plásticos.

Queremos mais que um "amor gostosinho", queremos propagar a nossa alegria com sorrisos vindos diretamente de propaganda de pasta dental. Isso não existe. A vida diária não é composta de glamour mas de transpiração, trabalho, sofrimento e um pouco de alegria sim.

O meu dia começa preguiçoso, com vontade de ter o direito de apenas mais 15 minutos na cama, um banho quente, um café rápido, um trânsito louco, um tanto de trabalho, uns chatos pelo caminho, umas risadas, cansaço, almoços rápidos e cheio de assuntos profissionais. Uns jantares com amigos, um cinema, uma festa, viagem... há glamour nisso? Fato que não, trânsito de volta, jantar ou lache sozinho, TV, notícias, seriados, banho e dormir sozinho! Existem bons momentos, e um esforço em transformar os maus momentos em suportável.

Ostentar um sorriso durante o dia é parte da profissão. Aguentar os malas, derruba o glamour. Ter uma profissão legal, gostar do que se faz, conquistar os sonhos...acabamos dividindo as conquistas com pessoas próximas e isso pode, indevidamente, parecer soberba e esnobismo. As vezes é mesmo. Outras não. Mas o fato é que na maioria das vezes é apenas uma forma de dizer aos que te cercam que você é melhor, que pode mais... talvez tudo isso seja apenas a representação animal de que podemos ser melhores provedores que os demais, que somos os "machos alfa" da sociedade e que merecemos respeito...

A soberba, é no fundo, apenas uma repetição dos nossos instintos... a questão é quando isso faz com que você descubra que ficou tão focado nas suas conquistas, sentindo-se tão autosuficiente que esqueceu de amar, de conhecer alguém... estamos numa fase em que é normal desculpar-se pela falta de um(a) parceiro(a) por culpa da carreira, trabalho ou estudos, desde que venha seguido de sucesso... viva a soberba moderna que nos transforma em "machos alfa" totalmente solitários e sem possibilidade de perpetuar os nossos genes...

Mas a questão mais profunda é como conseguir sobreviver nesse mundo sem usar da soberba, mas sem medo de aproveitar as suas conquistas com seus amigos e tendo um amor que valha a pena!

domingo, 28 de março de 2010

Soberb

I don't want to be the girl who laughs the loudest
Or the girl who never wants to be alone
I don't want to be that call at 4 o'clock in the
morning
'cause I'm the only one you know in the world that
won't be home

Ahh, the sun is blinding
I stayed up again
Oh, I'm finding
That's not the way I want my story to end

I'm safe up high, nothing can touch me
Why do I feel this party's over?
No pain inside, you're like protection
But how do I feel this good sober?


I don't want to be the girl who has to fill the
silence
The quiet scares me 'cause it screams the truth
Please don't tell me that we had that conversation
I don't remember, save your breath
'cause what's the use?

Ahh, the night is calling
And it whispers to me softly, "you're to blame"
I hear you falling
And if I let myself go, I'm the only one to blame

I'm safe up high, nothing can touch me
Why do I feel this party's over?
No pain inside, you're like perfection
So how do I feel this good sober?

Coming down coming down coming down,
Spinning round spinning round spinning round
Looking for myself, sober
Coming down coming down coming down,
Spinning round spinning round spinning round
Looking for myself, sober

When it's good, then it's good
It's all good 'till it goes bad
'till you're trying to find the you that you once had
I've hurt myself, cried, never again
Broken down in agony
Just trying to find a friend
Oh