quinta-feira, 30 de maio de 2013

A diferença de estar On ou Off

Dias atras vi um video viral na internet que falava sobre estar on ou off. Claro, havia um pouco de exagero, como em todos os vídeos motivacionais que ja assisti, mesmo que muitos deles tragam algumas verdades nao ditas cotidianamente, têm como linguagem os superlativos, para que algo seja pescado da mensagem.

Retirando os exageros, aparando as arestas, processando a informação, limpando o que nao presta, um fato e incontestável: as redes sociais afastam os próximos e aproximam os distantes. E bom falar com meus amigos que moram na Europa, Estados Unidos, Curitiba, Rio de Janeiro e ate mesmo Sao José dos Campos.... Mas em alguns momentos em que se esta atualizando com eles, voce deixa de interagir com seu colega, amigo, amante, filho, pais, conversando com alguem distante, e quando os reencontra, mantém-se atualizado com aqueles que outrora estiveram perto... Perdemos a necessidade de olhar no olho. Nao precisamos mais do toque, e nao temos a necessidade do cheiro. So nos importa estar atualizados.

O mundo contemporâneo nos sobrecarrega de informação, de dados e notícias... Se voce nao saber da ultima legislação (no meu caso como advogado tributarista), da ultima noticia, ou mesmo da fofoca de subcelebridades, o ultimo desastre, o mais recente escândalo do seu partido e do adversário, voce pode ser colocado como um desinformado, ser passado para trás, deixar de estar na "crista da onda".

Temos uma ansiedade pela atualização que ultrapassa os limites humanos. Falo isso pois sou meu próprio rato de laboratório. Sou ansioso com isso. Preciso do facebook, instagram, whatsap, da pagina do uol, da folha, da empresa de consultoria, dos emails de comunicados das consultorias parceiras. Quero saber. Quero estar informado para decidir melhor, desde o melhor planejamento tributário, ate o próximo evento teatral, shows, jantar com amigos. Parece que nao podemos perder nada. 

Domingo passado fiquei o domingo "tomando conta do sofá"' vendo filmes, lendo um pouco, e me atualizando em slow motion.... E durante o dia me peguei pensando em como "dispersei" meu dia. Nao fui em exposições, teatros, cinema, almoços.... Nada... Apenas uma ida na padaria... Mas no fim do dia estava com a sensação de bateria recarregada, nao porque nao fiz nada, mas porque escolhi o ócio. Domenico ficaria com orgulho de mim usando assim meu ócio, e resolvendo coisas na minha mente.

Depois disso, viajei no fim de semana quase desligado, apenas com algumas intervenções, fotos tiradas, atualizada de leve a noite ou de manha. Nesse momento estou esperando o embarque para uma viagem que terá quase o mesmo propósito. No próximo fim de semana também. 

Lidar com essa ansiedade nao e facil. Preciso escrever. Preciso do Blog, de me comunicar, de dar aula, de falar ao mundo (ou a essa pequena audiência), mas preciso tambem desligar, aproveitar o momento, retomar o meu slogan de vida "CARPE DIEM" (aproveite o dia). Estou tentando.... Mas e voce?

Qual e o tamanho dessa mudança? Qual o esforço necessário? So posso afirmar que 2013 e de colocar novas idéias na cabeça e novas atitudes no meu mundo. E um ano de mudanças. Como serão todos os meus próximos anos de vida, ate que ela acabe.

P.s.: texto escrito na sala do Smiles, no iPad, sem corretor automático, e sem alguns acentos. Perdoe-me pelos possíveis erros. 

terça-feira, 7 de maio de 2013

Direitos Humanos? Para quem?

Nesse último fim de semana a nossa querida e amada Rede Globo apresentou uma matéria no Fantástico e a repetiu em todos os seus telejornais e no seu site de notícias sobre a perseguição a um dos traficantes mais perigosos do RJ, o "Matemático". A discussão era sobre a possibilidade do traficante (conhecido pelos crimes que cometeu, sem que suas vítimas tivessem a chance de se defender) não teve a chance a revidar a ação dos policiais, que o caçaram de um helicóptero muito bem pilotado, e com policiais de elite com armas adequadas ao poderio do tráfico de drogas. O fim da Perseguição cinematograficamente eficiente foi a morte do traficante. Direitos Humanos se manifestaram a favor do traficante e contra a Policia do RJ. Nenhuma das vítimas do traficante ou sua família recebeu esse apoio. O Capitão Nascimento, que dispensa comentários sobre seus métodos de combate ao crime (Veja Tropa de Elite 1 e 2 ou leia seus livros) deu parecer desfavorável à Polícia (Minimiza a cena).

A Rede Globo, e seu canal de notícias na internet noticiam novo caso de estupro em ônibus no RJ, além dos já noticiados caso da estrangeira na van, adolescentes, etc., a Rede Globo não faz uma reportagem no Fantástico sobre esse caso, mostrando como a população está desprotegida em diversos casos, porque a polícia, que embora tenha se esforçado com suas UPPs nas favelas cariocas, ainda não conseguiu vencer a violência urbana. Os Direitos Humanos não se manifestaram a favor da vítima de estupro, mas exigem que o estuprador, que fez isso na frente de outros passageiros enquanto apontava uma arma para a cabeça da vítima era violentada, tenha um tratamento digno em sua caçada e na cadeia. (Minimiza a cena).

Sou advogado, e desde a primeira aula aprendi que os advogados tem como função primordial o exercício e garantia do direito. Não é soltar bandido, mas fazer com que o devido processo legal seja seguido à risca, que os benefícios sejam aplicados e que a cadeia, quando for o caso, tenha caráter sócio-educativo. Crimes devem ser punidos no rigor da lei. Nem mais, nem menos. Não defendo pena de morte, que não diminui a criminalidade em nenhum lugar em que foi aplicada, e no máximo dá um gosto de vingança à sociedade, talvez ainda reflexo da Lei de Talião, àquela do "olho por olho, dente por dente".

Olhando para as duas cenas, e apenas para efeitos exemplificativos, fico me perguntando onde queremos chegar? Nova York alguns anos atrás encontrava índices altíssimos de criminalidade, que foi reduzido drasticamente após a implementação da política da tolerância zero e janela quebrada pelo Prefeito Rudolph Giuliani e 
William Bratton
. Basicamente funciona assim: (i) nenhum crime, independente da sua gravidade, será tolerado; (ii) se há uma janela quebrada na vizinhança ela precisa ser consertada imediatamente, pois a visão do descuido do básico demonstra despreocupação com o resto. Nos temos tolerância zero quando a polícia brasileira é competente e incorruptível.

O Brasileiro reclama da corrupção do PT, e todos os demais partidos (não há inocente nos palácios do poder brasileiro), mas não acha errado pagar propina para não ser multado, fura fila, anda no acostamento, para em cima da faixa. Pequenas corrupções pode, e as grandes só não podem se você estiver fora.

Maximizem as cenas acima. Parece que todo o texto está desconexo e sem relação. O que a ação da polícia, a rede globo, um estupro e janelas quebradas têm a ver?

O Ponto é que estamos nos acostumando às cenas de violência, e a maioria da população até apoiou a reportagem da Globo, e achou um absurdo ter colocado a vida de pessoas comuns em risco, mas a pergunta é: alguém se feriu, além do traficante morto? Não. A polícia assumiu o risco, mas colocou profissionais bem treinados, com armas adequadas, numa hora em que não havia quase ninguém na rua e funcionou. Poderia ter dado errado, sim, mas até o fato de dirigir até o trabalho de manhã pode dar errado e você ter um acidente grave. Você assumiu o risco. Sim. Dará errado? Provavelmente não. Assim foi com a ação policial.

Os Direitos Humanos deveriam se preocupar com a segurança pública, ajudar a encontrar caminhos para reduzir a sensação de insegurança, trabalhar com o poder público, privado e não governamentais para que a violência seja reduzida drasticamente, que as janelas quebradas sejam consertadas o mais rápido possível. 

Mesmo concordando que os presos devem ter tratamento digno, que o sistema deveria ser de recuperação, que o devido processo legal é indispensável na sociedade, me entristece ver que uma entidade que deveria estar preocupada com a seca no nordeste, os crimes nas grandes cidades, o combate à corrupção, o aquecimento global, a saúde pública, a educação indiscriminada, a eliminação do racismo e dos crimes de intolerância, etc., se preocupam apenas com o bom tratamento dos presos e não no cuidado com as vítimas.

A Tolerância Zero e a Janela Quebrada deveriam ser adotadas em nossas grandes cidades e na vida palaciana em Brasília, para então termos uma evolução efetiva no combate à corrupção e violência. Talvez assim, os Direitos Humanos poderiam, a e sim, se preocupar apenas com o tratamento dado aos poucos criminosos que ainda restarem.

Sou contra qualquer tipo de excesso, todos tem direito à dignidade, mas me parece que os cidadãos de bem merecem mais respeito, dignidade e proteção do que estão recebendo. Se os Direitos Humanos são contra, quem é que esta a favor de nós?

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Amor à Primeira Vista

Será que existe AMOR à primeira vista?

Não o de pai, mãe, irmão e da família, a quem amamos, na maioria das vezes, a partir do primeiro suspiro, embora às vezes com uma intensidade reversa, com drama, charme, e afins... é um AMOR incondicional.

Não to falando, tampouco, do AMOR por amigos de quem você descobre uma identidade imediata, um gosto parecido, uma atividade em comum, e que conforme você vai conhecendo, e mesmo os seus defeitos, vai amando mais.... atura as birras, se desentende, mas mesmo assim ama, sem medo e sem interesse de nada além da amizade e companheirismo...

Tampouco estou falando de paixão e tesão, daqueles que se desgastam após a primeira manhã acordada juntos, antes do café da manhã, ou mesmo do check-out do motel barato. 

O que me importa e interessa agora é outra coisa... é AMOR  daqueles que te fazem brilhar o olho na primeira cruzada, que te faz estremecer de sentir a primeira fragrância, te arrepia ao primeiro toque... e que mesmo assim você não quer acabar com isso na cama, não como fim, mas como uma consequência que acontecerá naturalmente em algum momento. 

AMOR à Primeira Vista é aquele sentimento que vem sem hora, endereço, adereço ou requisição...é aquele querer bem instantâneo, de quem nem sabe o nome, é a falta de ar e taquicardia imediatas, é rezar para que aquele segundo se prorrogue por toda a eternidade.

Alguns poetas já trataram desses amores à primeira vista. Outros autores transformaram-no em comédia ou dramas. Romeu e Julieta (W. Shakespeare) tem todo o seu romance traçados a partir de uma festa, um olhar, e talvez seja a melhor definição desse tipo de AMOR  e foi brilhante nisso, embora precise confessar que até algum tempo atrás seria incapaz de defender Romeu e Julieta.... que aliás achava um romance adolescente sem conexão com a realidade, de inocência pueril inexistente nos dias de hoje.

Amar é insensato, é fora da lógica, é irracional, porque se fosse diferente não seria AMOR  poderia ser um relacionamento por interesse, uma paixão lógica, uma relação profissional... mas não o AMOR. Descrever o AMOR à primeira vista é quase impossível sem a poesia. Carlos Drummond de Andrade já disse que "Se você sabe explicar o que sente, não ama, pois o AMOR foge de todas as explicações possíveis"... assim é o AMOR de primeira vista: sem explicações.

Amar não é para profissionais, pelo contrário, necessita de uma boa dose de inocência e de fé. De dar-se oportunidade, de permitir-se ficar indefeso, e mesmo assim estar feliz com a vulnerabilidade. 

Amar à primeira vista necessita de.... não precisa de nada, apenas de um coração aberto, da chance e da pessoa certa... e dar oportunidade à felicidade. AMAR à primeira vista é dar a chance de inesperadamente ser feliz.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A Cultura da Desculpa

É normal, no Brasil e em países de cultura predominantemente católicos, colocarmos a culpa dos acontecimentos nos outros, gerando sempre desculpas que nos absolvem de nossos atos e evita punições. 

Estamos em pleno julgamento do caso Carandiru, com uma velocidade enorme de 20 anos para ser julgado, e ouvimos do Governador da época que embora ele não tenha dado a ordem, teria feito, com a desculpa que nada mais era possível em termos de negociação. Talvez ele esteja certo, talvez não. E não considero que quem estivesse lá fosse bonzinho, inocente ou coisa do tipo, mas o ponto é: a desculpa pelo ato é o público que estava lá dentro. Não assume a culpa que houve excessos e ordem para matar.

Ok, esse é um tema muito delicado, não tenho acesso as provas, nem estava la. Vamos reduzir o escopo então. Atentado em Boston. O Governo Americano não se desculpou pelo ocorrido. Ele agiu. Viu que há erros, que precisa reforçar a segurança, e prestou solidariedade às vítimas com eficiência e competência. Há mais os americanos não são comparáveis, são hipócritas, uma sociedade decadente, um império em ruínas odiado por diversas culturas. Ok, vamos reduzir o escopo novamente.

Normalmente no Brasil nós colocamos a culpa pela nossa pobreza porque Deus quis. Que nossos políticos são corruptos, porque os partidos permitem isso. Que nossa carreira não progride porque o chefe nos persegue.

Em outros países, se você é rico, e normalmente é possível ter uma confortável vida como fruto do seu trabalho, não há culpa nisso, nem há também uma superexposição dessa condição. Você apenas usufrui do conforto que lhe é permitido pagar. Se você é pobre há, em sua grande maioria das vezes, a oportunidade de mobilidade social, mas a culpa não é de Deus, mas talvez do sistema, do capitalismo, da educação, etc., mas o que importa é que eles não ficam se lamentando, trabalham para mudar.

Os nossos políticos não são corruptos por culpa dos partidos. O Feliciano, Maluf, José Dirceu, Lula, Tiririca estão no Poder, representando o povo, não porque os partidos quiseram assim mas porque o povo, sim meu caro, você mesmo, votou nesses caras. Não adianta culpar alguém para ter direito à desculpa de ser representado por esses caras em Brasilia, ou nos paços Estaduais ou Municipais. Para de pedir desculpas e assuma sua responsabilidade. Vote Limpo.

Sua carreira não progride, a empresa não paga seus treinamentos? Já avaliou se você está fazendo certo? Se você tem o perfil da empresa e da profissão? E se sim, o que falta? Estudar inglês, fazer uma pós, MBA, etc., isso não é responsabilidade da empresa, isso é sua responsabilidade.

Você está com saudades de alguém? Ligue. Mande SMS, e-mail, fumaça... mas para de desculpar-se pela falta de tempo... talvez haja falta de interesse mesmo.... assuma isso. Há momentos em que as agendas são difíceis, há incompatibilidade de horários, fuso horário diferentes, mas nada que o whatsapp ou skype não resolva... até o Facebook tem chat com câmera. Então dá para ver, falar, contar as novidades.

Brigou com alguém e quer desculpas? Porque não dar o primeiro passo? Está apaixonado? Porque não se declarar? Quer um novo emprego, procure! Uma promoção, trabalhe. Um país decente, vote limpo, seja voluntário, não jogue lixo na rua, não corrompa nem permita ser corrompido, não fure fila... mas pelo amor de Deus não peça desculpas por morar num país sujo (na rua e no Congresso). Se por algum motivo a sua culpa deve valer para algo é para mudar....

Na minha academia tem uma menina que é cega... ela tinha todos os motivos para desculpar-se e culpar-se por sua suposta "condição especial".... mas não, é uma menina como outra qualquer na sua idade e que é vaidosa, quer ser saudável... e o mais incrível é que apesar de já fazer uns dias que a encontrava, apenas semana passada percebi que sua diferença, até aquele dia, apenas tinha visto uma menina com um sorriso no rosto que contagiava. Ela não usou a desculpas.


Michael Jackson foi muito feliz na música Man in the mirror, quando diz para olhar-se no espelho e tomar a atitude para mudar o mundo.

(http://youtu.be/YJsxtJEy87Q#aid=P7_Z6dnq1aA)

terça-feira, 9 de abril de 2013

O PESO DO SONHO

E depois de séculos, deixo de escrever no Face, para postar no meu mundo particular, onde deixo as pessoas entrarem, desde que façam com respeito.

Dias atrás tomei a difícil decisão de abandonar meu curso de teatro. Alguns podem chamar de fraqueza, outros que não termino nada que começo, que falta foco, etc., mas sabe, esse é um sonho particular que não tá no seu tempo de ser realizado ou talvez não dessa forma.

Os meses que passei no Macu (para os que não são íntimos: Escola Macunaíma) me ensinaram sobre pessoas mais do que anos de terapia. Tive a sorte de encontrar pessoas que me encantaram com sua colorida alma carregada de histórias que me fizeram crescer em tal proporção que não imaginava no dia que me matriculei. Sabe aquela frase "as coisas boas acontecem com o tempo e as melhores acontecem de repente?" então... foi isso... o teatro me fez, sem avisar ou pedir licença, numa intensidade enorme, tomar consciência da beleza d'alma humana que havia deixado de enxergar.

Foi o teatro que me fez parar e ver o que era importante para mim. O que realmente vale a pena. Quem vale a pena. O que precisa ser dito, por mais difícil que seja dizer, e por mais que isso possa parecer um desnudamento d'alma é algo tão imediatamente urgente que não é possível escapar dessas verdades e palavras.

Foi olhar de uma forma artística para a vida, por meio das aulas do teatro, na arte de interpretar a vida do outro, de fazer seu corpo agir de acordo com a situação, que me fez ficar mais próximo da realidade, e isso de uma forma estranha. Foi ali no palco que aprendi e reparar em mim, na minha alegria e honestidade comigo mesmo. Foi naquele santo espaço do tablado, onde enganar é a profissão que olhei mais honestamente para os olhos que me encararam em cena, sob uma ótica de cumplicidade instantânea de um nascimento fulminante.

É na expressão artística que encontrei o meu espaço e minha verdade, em que aprendi a encarar mais leve a vida. 

É por um amor incondicional à arte que precisei sair do teatro por motivos que posso ficar falando por dias e dias, mas que se resume a uma palavra: "RESPEITO!":

  1. Respeito à arte de interpretar, e aos monstros sagrados e Deuses do teatro;
  2. Respeito ao palco, que nos provoca um transe e catarse que não se encontra às vezes numa igreja;
  3. Respeito aos colegas de palco, que trabalham para realizarem seu sonho;
  4. Respeito ao dom de quem pode atuar de forma tão natural que faz do agir do personagem uma ação sua, e ao meu dom e prazer de escrever e da minha forma orgânica de expressão;
  5. Respeito a mim, que embora sonhe com isso com diversas formas de expressão artística, preciso focar nas coisas mais urgentes da vida cotidiana;
  6. Respeito aos mestres da arte de atuar que conheci nesse rápido período.
Sonhar com a possibilidade de expressar-me pelo teatro continuará existir em mim, mas apenas quando eu puder viver esse sonho plenamente, então voltarei a posar novamente num palco. Por ora, viverei meus sonhos e amores mais urgentes, que me proporcionam toda sorte de felicidade que eu posso ter. Até lá fico como um simples espectador das histórias da vida, com a saudade de um sábado a tarde, que não deixará de existir nos meu coração.





quarta-feira, 18 de abril de 2012

Os Cliches da Vida

Todas as vezes que eu pego a estrada sozinho acabo por vir pensando na vida, e isso tem acontecido com certa periodicidade, já que ando com residência em duas cidades (Santos e São Paulo), a serra virou meu lar e meu conselheiro...

Hoje, subindo a serra, debaixo de neblina, e ao som do Iphone no carro, fiquei pensando na minha vida amorosa e nos clichês musicais... e descobri que nesse assunto eu sou clichê também... e sou como ninguém...e posso contar a minha vida na montagem de frases de algumas músicas (em montagem livre), e isso num parágrafo, e ficaria algo como:

Certa vez convidei alguém para conhecer meu infinito particular, ver que eu não sou difícil de ver, é só querer.. mas então a paixão derrubou a razão, e eu de uma forma fiz com que você saísse pela porta e da minha vida, com o coração quebrado, desejei que por muito tempo você voltasse e consertasse ele, que fizesse eu enxugar todas as lágrimas que eu chorei... hoje estou perdido, mas não quer dizer que não vou achar o caminho, afinal só quem já teve um coração partido sabe como é. Hoje eu ligo para os meus amigos e todos estão fora, todos estão acompanhados, e descobri que você casou e realizou seus sonhos, e você já me dizia que o amor às vezes dura para sempre, mas às vezes machuca, mas não posso desejar menor que o melhor para você. Um dia desejarei dizer que isso foi amor, e que acabou, que as lágrimas do meu travesseiro secaram, mas que se você me chamar, eu estarei lá, é só chamar meu nome, que eu estarei lá, talvez para tentar te ajudar a se recuperar, quando o que você queria, não era o que você precisava, quando você precisar de ajuda, mas hoje sou eu que precisa de alguém para me ajudar a pegar uma música triste e transforma-la numa coisa melhor, enquanto isso não acontece eu voltarei ao luto, até que eu consiga me reabilitar e amar de novo. Mas no fim, se chorei ou se sorri, o que importa é que eu fiz o meu caminho e as emoções que eu vivi até chegar aqui.

Talvez eu tenha sido clichê demais no texto, mas o que quero dizer é que as músicas de sofrimento e de amor são histórias comuns em todo o mundo. Seja em Chinês, Japonês, Húngaro, Inglês, Espanhol, seja pop, rock, sertanejo, ou clássica. As histórias de sofrimento e traição, de amor e perda, de reencontro e perdão são iguais em todas as culturas, e hoje eu sou um clichê. Mais do que eu gostaria de ser.

Ando aprendendo muito ultimamente, mas o que eu tenho tomado consciência é de que um dia você precisa da sua conclusão... é necessário dar um passo adiante, se forçar a esquecer, dar-se a oportunidade de amar novamente. Não que isso seja fácil, mas é talvez a única coisa que valha a pena ser feita.

É interessante ver como nossas vidas mudam de forma intensa, mesmo quando achamos que está tudo igual, e na Grécia já se sabia isso, quando lemos que "Não se pode percorrer duas vezes o mesmo rio e não se pode tocar duas vezes uma substância mortal no mesmo estado; por causa da impetuosidade e da velocidade da mutação, esta se dispersa e se recolhe, vem e vai. (Heraclito de Éfeso)" sabemos que tudo mudo, e tudo passa... mesmo quando temos a certeza que afirmar isso é clichê, não podemos discordar.

É interessante olhar no espelho e encontrar pequenas rugas nos meus olhos, saber que aquilo ali é a marca das coisas que eu vivi, é ali que estão os degraus para atingir o meu interior e me descobrir. É interessante olhar para dentro de mim, e ver, o que mais ninguém pode ver, e descobrir que sou mais clichê do que eu imaginara ser, apesar de toda vida diferente que levo, dos lugares que freqüento e tudo que já fiz. Sou clichê de corpo e alma quando o assunto é amor.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A tal da inveja

Hoje indo embora do trabalho, tarde da noite, ao parar no semaforo e olhar para o carro do lado vi um dos ocupantes enrolando um baseado, e fiquei com um pouco de inveja.... Nao pela droga em si, que nunca usei e nao tenho a menor vontade de experimentar, mas sim pelo descompromisso do momento, e fiquei pensando em como invejamos a vida dos outros sem saber o que tem por trás. Se alguem tivesse me visto hoje, sentado num quiosque na beira da praia as 23h30 tomando agua de coco deve ter pensado: "olha so um playboy com a vida ganha, chegou num carro bom, tem roupa cara... Deve ser filinho de papai, queria essa vida"... Pois e... Mal sabe ele que na verdade tinha acabado de sair da empresa, depois de um dia duro, como muitos outros que passei e tantos outros que virão, e que parei ali para pensar na vida, tentar achar a solução para uns problemas que não achei a resposta, que o carro eu pago com o suor e sangue do meu trabalho de 14 horas diárias. Numa perspectiva maior, um bando de gente inveja Madonna, Michael Jackson, Adele, Eike Batista, FHC, Silvio Santos e tantos outras pessoas bem sucedidas que vemos na midia... Todos querem sua fama e dinheiro. Mas quem quer a responsabilidade deles? Imagine quanta pressão esses artistas precisam lidar para bater recordes de vendas, lotar shows, estar magros, sorridentes e simpáticos todo o momento, a falta do direito do mal humor. Imaginem a responsabilidade de ser o dono de uma empresa, como e o Eike, e a quantidade de familias que dependem dele. Ultimamente estamos muito desejosos dos bonus das nossas invejas. Desejamos a gerencia, direção e presidência das empresas, queremos ser Famosos BBB, para usufruir a vida vazia de festas e revistas de celebridades, mas não queremos a responsabilidade de trabalhar duro para isso. Um dia ouvi que não deveria desejar o que o outro tinha, pelo simples fato de que nao sabia o que a pessoa tinha passado para chegar ate ali. Madonna e MJJ tiveram infancias infelizes. Eike nao acertou sempre. FHC nao nasceu sociologo pronto e foi extraditado na ditadura. Olhando de fora quem sou eu, e o que eu tenho... Tenho a certeza de que sou invejado e que ha motivos para isso.... Sabendo o que eu passo para atingir isso, tenho certeza que nao e uma vida facil. Hoje almejo atingir alguns objetivos pessoais e profissionais, mais me espelhando em algumas pessoas em termos de postura, carater e Experiencia....mas nao desejo a vida delas... Prefiro a minha que eu conheco muito bem. E voce, como lida com isso?

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A terceirização da culpa

Ultimamente tenho ouvido muito a mesma coisa: "nossa, você sumiu", "a empresa não apóia meu crescimento", "meu professor não me ajuda", "o governo é corrupto"... estamos terceirizando a culpa pelos fracassos e não estamos mais assumindo a responsabilidade pelos nossos atos, está fácil colocar a vida na mão dos outros. Senão vejamos.

1. A empresa precisa ajudar o seu crescimento? Sim, precisa dar ferramentas e ter políticas claras de benefícios para os seus colaboradores, trazer desafios, proporcionar um ambiente saudável de competitividade, não permitir que se mantenha na zona de conforto, ter bons líderes que definam objetivos claros para a empresa. Não, quem é responsável pelo seu crescimento é você mesmo, que deve investir em estudos, outras línguas, em leituras, pesquisas e tudo mais. Você deve estar preparado para assumir uma nova responsabilidade, e não receber a nova responsabilidade para se preparar.

2. Você anda sumido! Em época de facebook, twitter, orkut, google+ e todas as redes sociais, só some quem quer e isso gera um esforço danado. Você tem a informação no smartphone, no tablet, na internet... como é que você consegue dizer que alguém sumiu? Você sai da vida dos outros, porque simplesmente está focado em outras coisas da sua vida (namoro, trabalho, faculdade, cursos) e não quer assumir a responsabilidade por ter perdido o contato. A vida muda, as pessoas mudam, os caminhos se distanciam e você tem outros interesses, outro círculo de amizades... aceite isso: seus amigos de hoje não são necessariamente seus amigos de ontem, e não tem nenhum mal nisso.

3. O governo é corrupto! Sim...é... porque você também é e porque você votou neles. É um fato. Um palhaço ganhou eleição, porque foi um voto de protesto, e nessa foi um boom de corruptos juntos. Colocamos mulheres frutas e políticos que roubam, mas dizem que fazem. Você compra filme pirata no camelô, e roupa falsificada no shopping popular. Paga propina para não te multarem, para em vaga de idoso ou deficiente.... mas a culpa é do governo que rouba sozinho. será mesmo? agora vejo um bando de gente indignada com a corrupção, querem derrubar Deus e o Mundo, mas não mudam a postura.

Sabe, essa postura "passiva-culpadora" anda me cansando um pouco. Não aguento mais pessoas reclamando dos outros, querendo se eximir das culpas.... a empresa tem sua responsabilidade pelos colaboradores, mas e a sua responsabilidade de trabalhar e cumprir sua parte no contrato de trabalho e de não ficar enrolando na internet o dia todo. Porque não ligar para seus amigos quando você sentir saudades e atender feliz quando eles ligarem. Porque não pesquisar em quem você vota, ver seu passado, suas propostas....Assuma a responsabilidade pela vida. Seja feliz, trabalhe duro, vote correto, seja honesto, seja autêntico...

p.s.1: foi mais um desabafo do que um bom texto do blog.
p.s.2: quero mais e travessuras e gostosuras na minha vida!

sábado, 17 de setembro de 2011

Onde você quer estar?


De acordo com a Madonna, não há mais tempo a perder, que é preciso decidir se você quer ficar no backstage ou se quer ser a estrela. Em Beats Go On, ela define a necessidade das pessoas em tomarem conta do rumo de sua própria vida. Basicamente não adianta esperar que os outros tomem as atitudes em seu nome, ou você vai e age ou então para de reclamar de que nada acontece.

Essa temática esta presente em algumas músicas da Madonna na era pós Cabala, mas também em outros artistas, e aqui só para mencionar uma das minhas músicas prediletas, Roxette, em Listen To Your Heart, diz que é preciso escutar o seu coração (aqui visto como seu sexto-sentido), antes que ele parta. É preciso tomar atitude, não ter medo de ser o que se quer ser ou se pode perder a chance de ser feliz.

Em regra temos muito medo de sermos o que realmente somos, e acabamos usando diversas máscaras, no trabalho, na família, na rua, no namoro. Deixamos de assumir o controle de nossas decisões porque isso pode não pegar bem, a sociedade pode não gostar, etc. É claro, isso faz muito sentido, quando você olha em volta e percebe quão hipócrita é a sociedade em que vivemos, que tem fama de liberal, com mulheres nuas no carnaval, mas que no fundo tem a festa pagã como um sopro de liberdade em nossa imaculada cultura repressora.

Queremos ser elegantes, cultos e modernos que nem alguns povos do chamado primeiro mundo, mas nos igualamos às tribos localizados nos lugares mais longínquos do mundo. Talvez até mesmo mais reprimidos.

Quando penso que é preciso escolher querer estar no backstage ou na frente é necessário saber que estar na frente é estar pronto para ser ponto de inveja, intrigas, fofocas. É preciso ter força para suportar uma sociedade como a nossa, em que o sucesso e o dinheiro é visto quase que como uma praga, é quase um crime, imposto por uma culpa católica histórica e quase histérica.

Quando escolhi sair do backstage, algum tempo atrás precisei aprender a lidar com uma timidez enorme, e romper com a culpa contrária ao sucesso, pois  lá não é o lugar de estar para as almas boas que tem lugar garantido no céu, diz a religião. É óbvio que a busca para tornar-se uma estrela deve ser baseada em princípios éticos fortes, chegando ao sucesso por méritos próprios e não passando por cima dos outros, mas não pode ser considerada como um castigo. Basta que tenha sido feita a escolha por estar em destaque. Mas e você, onde quer estar?

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

1 mês de Saudades


Hoje faz 1 mês que a minha vó faleceu, não houve comoção nacional, nem feriado, não teve a presença de ilustres convidados, nem de políticos, não veio a rainha, o rei, ou algum representante da realeza. Teve a presença da família e poucos amigos.

Ela não foi heroína, artista, poeta, cantora, não foi daquelas mulheres perfeitas representadas por Elizabeth Taylor, Marilyn Monroe ou Angelina Jolie, não salvou o mundo, nem fez uma revolução, mas foi a sua maneira heroína da sua vida.

Saiu do sertão carioca, que visitei dias atrás, e ainda hoje parece ter sido esquecido pela civilização moderna, pense nisso a 60 e poucos anos atrás. Arrumou emprego e virou mulher moderna. Trabalhou em fábrica, namorou, casou, teve filhos. Viveu o golpe militar, sobreviveu ao racionamento, criou dois filhos.

Decepcionou e para espanto da sociedade desquitou. Imagine-se em sua pelem vivendo numa cidade pequena do interior do Rio de Janeiro, acostumada a pompa, cultura e tradição, com os barões e baronesas, herdeiros da realeza e falidos, mantendo a pose.  Teve a sociedade contra, deve ter sido acusada, recusada, desdenhada. Mas sobreviveu.

Lutou, enamorou-se, apaixonou-se novamente. Após tanto sofrimento deu-se nova oportunidade de ser feliz, foi mais forte que muitos homens de grande  estatura e alta graduação acadêmica. Trabalhou, virou funcionaria pública. Ajudou filhos em momentos de dificuldade econômica. Financiou a mudança para São Paulo, nos ajudou, à sua maneira a vencermos.

Errou e acertou de várias formas com diversas pessoas, mas nunca deixou de viver a sua vida por sua conta e risco. Embora não fosse figura de fácil lida arrebanhou amigos pelo caminho que lamentam a sua morte com pesar e com a vontade de pedir para ficar mais um pouco, para quem sabe ter seu último desejo atendido, que ficará para sempre na intenção de alguém que não poderá ser redimido jamais.

Morreu como todos gostariam, dormindo, com semblante de paz, sabendo que era amada e respeitada pelos que a cercavam. Teve sua família perto, como deveria ser. Deixou amigos, como deveria ser. Deixou saudades, como deveria ser. Só não deixou mais um domingo de festa, como deveria ter sido.

Que você descanse em paz, como deve ser. Sentiremos saudades, com menos dor um dia, como deverá ser. Com amor, da sua família.