Essa semana, finalmente assisti ao filme Marley e Eu, e posso dizer que apesar de ser piegas, com a exclusiva finalidade de fisgar os sentimentos do espectador o filme traz, ao final uma verdade incomoda: “o ser humano é incapaz de amar incondicionalmente”.
O ser humano analisa, antes de tudo, uma série de aspectos para poder amar, como o aspecto social, físico, cultural. Não casamos com o nosso primeiro amor, aquele inconseqüente, puro e despretensioso. Nos relacionamos com diversas pessoas, nos decepcionamos, perdemos a fé no outro e no amor, até que encontramos alguém que preencha requisitos menores. Romeu e Julieta foram intensos e trágicos pois era seu primeiro amor e não foi um casamento para toda a vida, e sua história não seria a mesma se eles tivessem sido divorciados.
Romeu e Julieta é uma história que só comprova quão inconseqüentes são os adolescentes, mas definitivamente não trata de uma história de amor maduro.
Casamos com aquela pessoa que nos faz sentir-se bem, que tenha uma boa família, que corresponda a alguns requisitos sociais do grupo a que pertencemos. Não há Romeus e Julietas na maturidade.
O Marley prova que só quem desconhece as regras sociais humanas, o socialismo e o capitalismo é capaz de amar o rico e o pobre, o feio e o belo, o homem e a mulher, o infante e o idoso da mesma forma, só um animal de estimação é capaz de idolatrar o “chefe da matilha” independente de qualquer fator, correspondendo em intensidade superior qualquer demonstração de carinho.
O ser humano quer mais e mais, quer ser amado sempre em porções maiores do que consegue amar. Quer demonstrações intensas de paixão, quer um suicídio, se possível, quer ser feliz até que a morte os separe, mas que isso aconteça de forma breve, prefere o drama de perder o amor ao desgaste diário do relacionamento.
Um animal de estimação espera alegremente o retorno do seu dono para casa, para desfrutar por 10 minutos de um afago carinhos, 5 minutos de caminhada no quarteirão e 2 horas de TV quietos, mas lado a lado, e uma noite trancado do lado de fora ou na área de serviço. 21 horas de solidão com expectativas para o que sobra do dia para ser vivido ao lado do ser amado. Nem entre pais e filhos há essa pureza no relacionamento, não após a pré-adolescência.
Quem em são consciência humana se bastaria com isso? E os restaurantes, roupas, presentes, viagens? E a família, amigos, sociedade? Deseja-se mais. E mais. E mais. Não há inocência nos relacionamentos humanos, que são dirigidos por sentimentos poucos nobres. Sempre haverá um interesse em jogo, nem que seja o do bom papo, da companhia agradável, as risadas, etc., haverá naquele relacionamento um interesse de reciprocidade, e ai de quem não corresponder e magoar o outro, pois estará destinado, impreterivelmente, à renegação e exclusão social.
Quem não quer um amor vira-lata, daqueles em que os interesses são menores em exigência, mas nobres em qualidade. Que demonstre alegria apenas com a sua presença, e que te ame intensamente, e que você pode amar sem medo de ser rejeitado.
Um amor assim, só mesmo nos contos de fada, mas que nunca teve uma boda de prata ou ouro documentada.
Talvez só os Marley e Lassies da vida possam no proporcionar esse tipo de amor, mas isso não nos impede de buscá-lo em todas as esquinas da humanidade, em busca do brilho de vida nos olhares perdidos dos zumbis que andam pelas ruas da vida.
Eu ainda acredito no amor, mesmo que seja de um vira-lata.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Crise da Partida
Hoje começarei o Post de forma diferente, com uma citação de Camões:
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
O mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, as saudades. (...)”
Em diversos momentos da vida, precisamos nos despedir do presente, e dar um passo ao futuro. A decisão da partida não é fácil, sair da zona de conforto, das amizades contruídas, do relacionamento interpessoal, das funções e ações já conhecidas.
Despedir-se, dar adeus, um até logo seria dificil pelo simples fato de ter de abrir mão das coisas já conhecidas, mesmo quando não são tão boas assim, mas o organismo, a mente, o espírito já estavam prontos para aguentar o tranco.
Soma-se a isso o medo do desconhecido. Não conhecer os novos medos, os novos desafios, as pessoas em que conviveremos, o abismo que pode se apresentar a cada passo, a possibilidade de erro a cada gesto e palavra, ser analisado friamente pelos novos convíves, construir todos os relacionamentos do zero novamente.
Isso torna qualquer despedida muito mais complicada do que se pode supor, e isso ocorre desde o momento da decisão de partir a até o momento em que a saída ocorre efetivamente. Hoje a minha despedida é profissional, mas acontece em diversar situações: amoroso, afetivo, pessoal, familiar, etc. Mas um dia precisamos finalizar os nossos projetos para dar espaço às novas oportunidades!
Hoje dou um passo em direção ao desconhecido, tenho em mim uma mistura da tristeza da saída, e a alegria do desconhecido, a emoção por novos desafios, por jogar-me do avião de para-quedas, sem saber a altitude ou sem conhecer o equipamento de segurança, mas de fato nasci para isso! Meu brilho nos olhos só existe com os desafios, com o desconhecido, longe da burocracia diária, dos atos repetidos, dos erros comuns.
É preciso perder as amarras do corpo, para então ceder espaço às novas experiências, tirar a roupa velha do armário, renovar o visual, as idéias, aprender e apreender novos conceitos, reciclar é preciso para manter o coração batendo, e o cérebro pensando.
Que venham os novos amigos, as novas experiências, mas que o passado esteja marcado para que eu nunca esqueça os que me apoiaram, ensinaram, sorriram, choraram e conviveram.
Que este momento de despedida do passado, seja uma grande oportunidade de chegada!
Um grande passo para um homem é dado neste momento, talvez imperceptível para a humanidade. Mas Hoje é, para mim, um dia importante.
domingo, 22 de novembro de 2009
Crise de Post
Tem momentos que há tantas coisas mudando em nossas vidas que pouco resta para escrever. Não há, agora, um distanciamento necessário para racionalizar sobre os acontecimentos da minha vida e dos que me cercam.
Mas é certo afirmar que em alguns momentos tenho uma melancolia de tempos que não voltarão jamais, em que as responsabilidade eram menores, mas as amizades eram mais generosas e aplicadas e sempre ao lado. É tenho saudades dos amigos que não voltam jamais.
Enquanto digiro tudo isso, me dou o direito de calar-me por mais uma semana.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Crise de Amor
Dia desses conversava com alguns amigos sobre a existência ou não do amor e o que isso representaria em nossas vidas.
Eu sou cético com relação à existência de um determinado tipo de amor: entre os amantes. Entre um casal, independente da raça, credo ou opção sexual não há amor sem interesse.
Acredito, no amor entre familiares e amigos, desde que despidos de qualquer natureza de interesses comerciais, financeiros, ou de herança. Um pai ama incondicionalmente um filho e por conseguinte o seu neto. São amores que remotam ao momento em que não houve interesse promiscuo interferindo as relaçoes. É um amor de formação pura.
Quando falamos naquelas poucas pessoas que criamos laços efetivos de amizade, a coisa funciona com a mesma dinâmica, desde que não aja interesses outros que não a agrádavel presença da pessoa na sua vida, em que há pureza no sentimento, cuja interação surgiu por mera liberalidade e sincronia de energias. O amor entre eles nasceu puro e assim pode permanecer.
Entretanto, ao tratarmos de um casal, a coisa muda de figura. Não consigo vislumbrar um amor desprovido totalmente de interesses, que não o de convivencia. Há outros elementos no relacionamento, tais como, interesse sexual, de constituir família, de investir numa carreira, proteger-se da solidão, etc. São muito os elementos que regem um relacionamento entre um casal e um casamento. E todos esses interesses são o adubo, terra e semente daquele relacionamento.
É errado afirmar que um amor verdadeiro não pode nascer de um relacionamento nascido de interesse sexual. Quando se tira o tesão inicial, quando se imagina o outro numa cama, moribundo, precisando de ajuda, e não se tem duvida do desejo de estar ao lado, de ajudar uma vontade de cuidar, há, ali, um amor de verdade. É fato.
O amor, quando supera o inicio de visão turvada pelos interesses, quando se consegue abstrair das qualidades que ofuscam o menor defeito, quando começamos a delimitar pequenos defeitos da personalidade do parceiro, e mesmo assim não vemos a vontade de estar junto diminuir, estamos diante de amor. Caso contrário, teremos a máxima expressão da paixão, um sentimento regido por todas as qualidades que consiguimos enxergar, com prazo determinado (dizem que a paixão dura no máximo 3 anos) e que causa angústia ao coração.
O amor não é isso. É paz de espírito, confiança múltipla, é ver qualidade nos feitos, e conviver com isso. É despir-se de sexo, dinheiro e presente e vesti-lo com o futuro.
A minha história me fez ver que nem todos os envolvidos numa história de amor conseguem demonstrar na mesma sintonia e intensidade do sentimento. Um sempre ama menos que o outro, uma sempre envolve-se mais rápido que o outro.
Os meus relacionamentos me fizeram ficar cético com a existência de um amor duradouro. Talvez eles apenas tenham me preparado para um amor de verdade, com futuro promissor, em que terei vontade de cuidar no fim de vida, e com quem não saberia viver sem. Talvez aquela pessoa que cruzará meu caminho e me fará esquecer os anos que a solidão me acompanhou, em que me perguntarei como consegui sobreviver sem aquele sentimento na minha vida.
Vivo em uma das maiores cidades do mundo. Sou um cidadão cosmopolita, com acesso à informação e cultura formal de diversas formas, com acesso a pessoas bem sucedidas, inteligentes, e por isso mesmo, com um padrão de qualidade muito elevado. Busco a beleza interior e exterior, por mais que saiba que eu mesmo não estou num padrão tão elevado assim, não preenchendo todos os requisitos das fotos de propaganda e revistas de celebridades. Longe de mim. Tenho outros valores a agregar e entregar. Mas a primeira impressão é a que fica.
Mas claro, na busca de um amor, precisamos, sem sombra de duvida, de um interesse inicial. E é complicado preencher todos os requisitos de um cara cosmopolita. Perceba que não é uma situação pessoal, mas circuntancial das pessoas que me cercam, pois percebo a mesma ansiedade nos meus amigos e colegas.
Os amores que podem valer a pena, precisam de paciencia para quebrar o paradigma inicial, e mostrar que tem muito a oferecer. E que suas qualidades superam os requisitos da “ficha de inscrição”.
Talvez tudo isso mude semana que vem, quando posso cruzar com um amor para toda a vida, pois como disse um amigo: “o amor é como um jogo de memória, só tem fim quando todas as cartas corretas se encontram”. Espero que para mim o jogo ainda não tenha terminado.
Eu sou cético com relação à existência de um determinado tipo de amor: entre os amantes. Entre um casal, independente da raça, credo ou opção sexual não há amor sem interesse.
Acredito, no amor entre familiares e amigos, desde que despidos de qualquer natureza de interesses comerciais, financeiros, ou de herança. Um pai ama incondicionalmente um filho e por conseguinte o seu neto. São amores que remotam ao momento em que não houve interesse promiscuo interferindo as relaçoes. É um amor de formação pura.
Quando falamos naquelas poucas pessoas que criamos laços efetivos de amizade, a coisa funciona com a mesma dinâmica, desde que não aja interesses outros que não a agrádavel presença da pessoa na sua vida, em que há pureza no sentimento, cuja interação surgiu por mera liberalidade e sincronia de energias. O amor entre eles nasceu puro e assim pode permanecer.
Entretanto, ao tratarmos de um casal, a coisa muda de figura. Não consigo vislumbrar um amor desprovido totalmente de interesses, que não o de convivencia. Há outros elementos no relacionamento, tais como, interesse sexual, de constituir família, de investir numa carreira, proteger-se da solidão, etc. São muito os elementos que regem um relacionamento entre um casal e um casamento. E todos esses interesses são o adubo, terra e semente daquele relacionamento.
É errado afirmar que um amor verdadeiro não pode nascer de um relacionamento nascido de interesse sexual. Quando se tira o tesão inicial, quando se imagina o outro numa cama, moribundo, precisando de ajuda, e não se tem duvida do desejo de estar ao lado, de ajudar uma vontade de cuidar, há, ali, um amor de verdade. É fato.
O amor, quando supera o inicio de visão turvada pelos interesses, quando se consegue abstrair das qualidades que ofuscam o menor defeito, quando começamos a delimitar pequenos defeitos da personalidade do parceiro, e mesmo assim não vemos a vontade de estar junto diminuir, estamos diante de amor. Caso contrário, teremos a máxima expressão da paixão, um sentimento regido por todas as qualidades que consiguimos enxergar, com prazo determinado (dizem que a paixão dura no máximo 3 anos) e que causa angústia ao coração.
O amor não é isso. É paz de espírito, confiança múltipla, é ver qualidade nos feitos, e conviver com isso. É despir-se de sexo, dinheiro e presente e vesti-lo com o futuro.
A minha história me fez ver que nem todos os envolvidos numa história de amor conseguem demonstrar na mesma sintonia e intensidade do sentimento. Um sempre ama menos que o outro, uma sempre envolve-se mais rápido que o outro.
Os meus relacionamentos me fizeram ficar cético com a existência de um amor duradouro. Talvez eles apenas tenham me preparado para um amor de verdade, com futuro promissor, em que terei vontade de cuidar no fim de vida, e com quem não saberia viver sem. Talvez aquela pessoa que cruzará meu caminho e me fará esquecer os anos que a solidão me acompanhou, em que me perguntarei como consegui sobreviver sem aquele sentimento na minha vida.
Vivo em uma das maiores cidades do mundo. Sou um cidadão cosmopolita, com acesso à informação e cultura formal de diversas formas, com acesso a pessoas bem sucedidas, inteligentes, e por isso mesmo, com um padrão de qualidade muito elevado. Busco a beleza interior e exterior, por mais que saiba que eu mesmo não estou num padrão tão elevado assim, não preenchendo todos os requisitos das fotos de propaganda e revistas de celebridades. Longe de mim. Tenho outros valores a agregar e entregar. Mas a primeira impressão é a que fica.
Mas claro, na busca de um amor, precisamos, sem sombra de duvida, de um interesse inicial. E é complicado preencher todos os requisitos de um cara cosmopolita. Perceba que não é uma situação pessoal, mas circuntancial das pessoas que me cercam, pois percebo a mesma ansiedade nos meus amigos e colegas.
Os amores que podem valer a pena, precisam de paciencia para quebrar o paradigma inicial, e mostrar que tem muito a oferecer. E que suas qualidades superam os requisitos da “ficha de inscrição”.
Talvez tudo isso mude semana que vem, quando posso cruzar com um amor para toda a vida, pois como disse um amigo: “o amor é como um jogo de memória, só tem fim quando todas as cartas corretas se encontram”. Espero que para mim o jogo ainda não tenha terminado.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Crise de Perfeição
Imagine-se na seguinte situação:
* vida familiar tranquila, e em paz, na medida do possível que uma familia pode ter;
* vida profissional caminhando de acordo com o previsto, em que você faz o que gosta, com as pessoas que admira;
* vida pessoal indo bem, com alguns bons amigos ao lado para o que der e vier, colegas para badalar, e oportunidade de conhecer sempre pessoas novas, interessantes.
*vida amorosa em stand-by, é verdade, mas sempre com possibilidades de encontrar um amor de verdade;
* saúde própria e dos que te cercam sob controle;
* independencia financeira.
Tudo isso somado ao fato de você ser a imagem do que sempre imaginou na sua infância, naqueles sonhos e discussões acoloradas do que você seria quando crescesse estar sendo consolidada com muito trabalho, sendo elogioado pela sua competência (claro, com cuidado ao receber os elogios), e com uma remuneração razoável dentro do mercado.
E derepente você se vê imaginando que não tem motivos para tanta alegria, e ja fica imaginando formas de se punir, nao criando situações de autosabotagem, se olhando no espelho e se achando gordo/magro, feio, alto/baixo, malhado/flacido, tudo isso demais, criando disformias da propria imagem, achando-se sempre longe dos ideias de beleza photoshop vendidos em todas as revistas da atualidade.
Você só consegue ver quem ganha mais, namora mais, viaja mais, consome mais, diverte-se mais, acha-se o últimos dos seres a ter direito a ser feliz como é, porque não é perfeito como o galã da novela das oito.
Cria armadilhas para culpar o motivo de não encontrar um amor, porque você quer a pessoa perfeita, do tamanho exato do seu sonho e nada menos que isso. Você deseja a perfeição no outro que não enxerga em si mesmo.
E então você entra numa crise de perfeição, pois você é exatamente o que sempre desejou, mas culpa-se pelo seu sucesso pessoal, profissional, pelas alegrias que teve, e pelas lágrimas que derramou, pelas rugas que começam a aparecer no canto do olho que declara os acontecimentos da sua vida.
Essa crise é quase uma condição católica-apostólica-cristã-latina que ve na alegria um motivo para autoflagelar-se, imaginando que na próxima esquina uma desgraça o espera para acabar com a sua felicidade. Talvez os povos protestantes ou budistas sejam mais felizes que nós, pois aceitam as condições que lhe são apresentadas de forma muito melhor, em que o sucesso é o resultado do seu trabalho com estar no lugar certo e não como uma forma de te castigar, e provar que você não merece nada do que tem.
Fico imaginando porque não podemos ser simplesmente felizes, e aproveitar os momentos de sucesso e conquista, e porque às vezes alguém vem, como quem não quer nada, dizer que tudo que você tem e faz nada mais é do que um signo da sua ostentação infantil.
Vejo tantas pessoas cobrando a perfeição que nunca terão, e descartando qualquer signo de felicidade, pelo simples fato de não se considerarem merecedoras da alegria plena.
Não vejo motivos para isso. Só eu sei os caminhos que percorri para atingir essa felicidade, as dificuldades que passei para ser o que eu sou e o quanto me custa não ser perfeito, e em tentar ser feliz sem cobranças. Mas claro, ainda tenho uma ponta de culpa, que me diz que eu não mereço nada disso, mas logo olho em volta e sei que mereço sim, pois a felicidade é o nectar dos deuses e a absolvição humana!
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Crise de Catarse
E então anos mais tarde eles se encontraram num bar para beber, conversar e colocar o papo em dia. Ja fazia muito tempo desde o último encontro e muitas coisas tinham acontecido e mudado na vida daquelas pessoas ali reunidas. Tinham casado, separado, recasado, tiveram filhos, se deram bem num trabalho e se deram mal em tantos outros.
Foram anos bons e mas também anos duros os que se passaram, em caminhos tão diversos que nunca se imaginaria tão eclético grupo junto, com uma história comum, com um passado juntos. Foram os melhores amigos, e por ter acontecido durante a sua adolescência, foram cruéis um com o outro. Usaram apelidos, provocaram brigas entre si e se defenderam de outros. Fizeram as pazes, e seguiram caminhos que a vida lhes proporcionaram. Viajaram, conheceram o mundo, ficaram aqui e viveram suas condições.
Da mesma forma que perderam a intimidade do tempo, tem a intimidade da amizade que nuca fora perdida mas que esteve sob o estado de hibernação profunda, que é despertada a cada encontro, com um sorriso, um abraço apertado e sem barreiras, com uma cerveja na mão, e o brilho sincero de estar em boa companhia.
Eis que tanto tempo depois, com a maturidade na alma e o coração limpo, se desculparam pelas ofensas cometidas, pelas gafes, pela distância. Fizeram a Catarse de seus passados, e se prepararam para o futuro, e assim podem seguir suas vidas com um fardo a menos para carregar.
E então conseguiram tornar aquela amizade em indestrutível.
Obrigado aos que estiveram lá.
Foram anos bons e mas também anos duros os que se passaram, em caminhos tão diversos que nunca se imaginaria tão eclético grupo junto, com uma história comum, com um passado juntos. Foram os melhores amigos, e por ter acontecido durante a sua adolescência, foram cruéis um com o outro. Usaram apelidos, provocaram brigas entre si e se defenderam de outros. Fizeram as pazes, e seguiram caminhos que a vida lhes proporcionaram. Viajaram, conheceram o mundo, ficaram aqui e viveram suas condições.
Da mesma forma que perderam a intimidade do tempo, tem a intimidade da amizade que nuca fora perdida mas que esteve sob o estado de hibernação profunda, que é despertada a cada encontro, com um sorriso, um abraço apertado e sem barreiras, com uma cerveja na mão, e o brilho sincero de estar em boa companhia.
Eis que tanto tempo depois, com a maturidade na alma e o coração limpo, se desculparam pelas ofensas cometidas, pelas gafes, pela distância. Fizeram a Catarse de seus passados, e se prepararam para o futuro, e assim podem seguir suas vidas com um fardo a menos para carregar.
E então conseguiram tornar aquela amizade em indestrutível.
Obrigado aos que estiveram lá.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Edith Piaf – o pequeno pardal
Essa semana vi tarde demais o filme Piaf – um hino de amor, e se eu já gostava da Edith Piaf, hoje me apaixonei.
Ela foi a síntese do sofrimento de um artista, cuja alma não esta preparada para o mundo e sua crueldade. Uma pessoa que foi abandonada por todas as pessoas que a cercaram e amou por vontade ou pelo destino. Foi só, solitária, traída, intensa, diva, mulher, amante, esteve no céu, no inferno e no purgatório, esteve onde os mortais classe média nunca estarão.
Sofreu, sofreu e sofreu todas as dores dos amores que passaram em sua vida, desde o amor materno até o amor de seus homens e mulheres. Teve alguns amigos que se tornaram a sua família, que trocaram ao longo do tempo, e alguns que permaneceram por toda a sua vida, mas que apesar de tudo, ainda acreditava no amor ao final de sua vida.
Foi capaz, como dizia sua musica, de esquecer o passado, e que o bem ou o mal que lhe fizeram não importava, pois tinha o recomeço, o novo, uma vida pela frente, um ponto zero.
Talvez essa seja a síntese do desafio do ser humano na terra: ser capaz de recomeçar.
Normalmente nos vemos apegados às nossas vitórias do passado, os elogios, às magoas e derrotas, os amores e desamores que nos esquecemos de olhar para frente, e para a porta que se abriu em frente a nossos narizes, perdemos a oportunidade de nos recuperar, de termos um novo amor, pois deixamos nossos corações nos calabouços do passado, ali parados como que na overdose de demerol.
O reinício tão difícil em nossas vidas tão medíocres torna o nosso futuro tão impossível e improvável. Vivemos os ciclos dos acontecimentos em repetições eternas sem conseguir aprender 1 vírgula sequer, sem que isso seja esfregado em nossas caras por uma cartomante qualquer. Sem altas doses de fortes antidepressivos. Deprimimos-nos em nossa vida mais ou menos. Esquecemos do amor. Desistimos da felicidade pelo simples medo de sofrer uma decepção. De sentir a pele, o cheiro, o beijo e de um dia não ter mais nada.
Queremos a certeza da eternidade e a intensidade da paixão no mesmo pacote. Queremos você, ele, eu, o amor de novela. Mas não o risco. Nada de ônus, apenas o bônus da felicidade.
Piaf foi o que deve ser um grande artista, sensível até seus ossos. Sua artrite deve ter sido o reflexo da intensidade dos seus sentimentos, que não paravam na derme, epiderme ou endoderme, mas atingiam o mais profundo da sua alma. Nada de amores superficiais do tipo fast food, que se resolve ao fim dos 200 capítulos da novela, onde todos são felizes para sempre. Não isso na vida real. Romeu e Julieta foram mártires de um amor fugaz e a promessa da eternidade.
Cazuza, Maysa, Amy Whinehouse, Michael Jackson, Piaf, entre tantos outros artistas sofrem da dor dos amores vividos com intensidade não suportado pela delicadeza de suas almas de artista. E nos contentamos ver sua glória e desgraça, agradecendo aos céus por não termos sofrido dores tão profundas, e por nossas cicatrizes nos terem permitido continuar a viver.
Somos vítimas de nossos amores superficiais e sociais. Eu quero mais. Quero um amor eterno num reino distante, e que não seja levado pelo destino, mas que eu possa ter a alegria de manter ao meu lado pela vida. Quero a sensibilidade do poeta para entender o amor perdido, e a força para recomeçar do zero sempre que for preciso, independente do mal ou do bem que me fizerem, que eu tenha sempre um conselho a seguir, independente da idade, de amar. Sempre. Ame.
Mesmo assim acreditou no amor
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
The final goodbye
Essa semana ando meio carente, pois a um tempo estou em busca de um novo amor, para poder reescrever a historia da minha vida. É importante esclarecer que não fui o melhor dos homens no meu último relacionamento, em que errei os piores erros que poderia, mas descobri isso tarde demais.
Mesmo assim, fui perdoado. Mas não consegui conviver com a imagem dos meus erros deitado ao meu lado na cama. Foi demais para um perfeccionista como eu.
Hoje ouvi que encontrara um anjo que só trazia felicidade. Hoje me senti desamparado. Hoje tive vontade de sair correndo, e voltar ao passado e não cometer aqueles erros e quem sabe permanecer ao teu lado. Hoje gostaria de ter distanciamento dos fatos. Mas não consegui nada disso. Não poderei ter outra historia com a mesma pessoa.
Mas a minha vida nunca foi guiada pelo passado, e sim pelos fatos presentes e pela pretensao de um futuro. Hoje me livrei do último artefato que me prendia àquele amor que passou. Hoje dei fim ao símbolo do teu perdao e da minha vergonha que andava comigo na carteira. Hoje terminei o que devia ter terminado a tempos. Nosso relacionamento foi bem sucedido apenas pelo fato de eu ter me conhecido e descobrir que certos erros eu não sei cometer, que só pelo fato de ter cometido aquele erro, já deveria ter posto fim a tempos à essa história, que não pertence ao agora ou ao amanhã, e apenas ao ontem e antes.
Agora é o meu Adeus final da nossa história, com o nosso símbolo deixado para trás, em toda literalidade, numa rua em São Paulo. Não carrego mais aquele anel que eu ganhei. Hoje me livrei do meu pecado. Hoje me perdooei, pois sei que seu anjo irá te fazer feliz como eu nunca seria capaz de fazer. Hoje sem voce saber dei meu adeus final, e finalmente estou habilitado para abir meu coraçao para um novo amor que se aproxima. Sem você saber, hoje, me fez terminar a nossa história que vivia de forma platonica em mim, talvez por medo de ficar sozinho pela eternidade. Hoje terminei esse capítulo e começo um novo. Sou um novo homem, que continuará a sonhar.
Não é fácil deixar histórias de amor no passado, principalmente quando se está sozinho, é fato que o lívrio arbítrio neste caso fica prejudicado pelo medo da solidão, que embora nunca tenha feito parte da minha alma esteve me acompanhando nos últimos dias em que ocorreram tantas mudanças na minha vida. Se o próximo relacionamento ou os que vierem darão certo, não faço idéia, e essa incerteza oxigena meu coração que bate forte, provoca a sensação de borboletas no estômago, me deixa ansioso. Tudo pode acontecer, como sempre pode. Mas agora me divorciei do medo da solidão.
Desejo a você boa sorte, e a mim um amor que valha a pena.
p.s.: desculpem a carta tão pessoal, mas é a única forma de exorcizar o que ocorreu essa semana.
Mesmo assim, fui perdoado. Mas não consegui conviver com a imagem dos meus erros deitado ao meu lado na cama. Foi demais para um perfeccionista como eu.
Hoje ouvi que encontrara um anjo que só trazia felicidade. Hoje me senti desamparado. Hoje tive vontade de sair correndo, e voltar ao passado e não cometer aqueles erros e quem sabe permanecer ao teu lado. Hoje gostaria de ter distanciamento dos fatos. Mas não consegui nada disso. Não poderei ter outra historia com a mesma pessoa.
Mas a minha vida nunca foi guiada pelo passado, e sim pelos fatos presentes e pela pretensao de um futuro. Hoje me livrei do último artefato que me prendia àquele amor que passou. Hoje dei fim ao símbolo do teu perdao e da minha vergonha que andava comigo na carteira. Hoje terminei o que devia ter terminado a tempos. Nosso relacionamento foi bem sucedido apenas pelo fato de eu ter me conhecido e descobrir que certos erros eu não sei cometer, que só pelo fato de ter cometido aquele erro, já deveria ter posto fim a tempos à essa história, que não pertence ao agora ou ao amanhã, e apenas ao ontem e antes.
Agora é o meu Adeus final da nossa história, com o nosso símbolo deixado para trás, em toda literalidade, numa rua em São Paulo. Não carrego mais aquele anel que eu ganhei. Hoje me livrei do meu pecado. Hoje me perdooei, pois sei que seu anjo irá te fazer feliz como eu nunca seria capaz de fazer. Hoje sem voce saber dei meu adeus final, e finalmente estou habilitado para abir meu coraçao para um novo amor que se aproxima. Sem você saber, hoje, me fez terminar a nossa história que vivia de forma platonica em mim, talvez por medo de ficar sozinho pela eternidade. Hoje terminei esse capítulo e começo um novo. Sou um novo homem, que continuará a sonhar.
Não é fácil deixar histórias de amor no passado, principalmente quando se está sozinho, é fato que o lívrio arbítrio neste caso fica prejudicado pelo medo da solidão, que embora nunca tenha feito parte da minha alma esteve me acompanhando nos últimos dias em que ocorreram tantas mudanças na minha vida. Se o próximo relacionamento ou os que vierem darão certo, não faço idéia, e essa incerteza oxigena meu coração que bate forte, provoca a sensação de borboletas no estômago, me deixa ansioso. Tudo pode acontecer, como sempre pode. Mas agora me divorciei do medo da solidão.
Desejo a você boa sorte, e a mim um amor que valha a pena.
p.s.: desculpem a carta tão pessoal, mas é a única forma de exorcizar o que ocorreu essa semana.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Youpix
Um homem em crise, mas sempre indo a lugares e conhecendo novas pessoas, novas ideias, e conhecendo a minha musa inspiradora deste blog: Rosana Hermann. Me senti um tonto falando com ela, como um fã, mas é a única coisa que consegui fazer... enfim, é desses papeis que vivemos a vida!
Rosana, muito Prazer!
Rosana, muito Prazer!
domingo, 30 de agosto de 2009
Crise de Amor
Lendo um texto, que teoricamente foi escrita pela Oprah Winfrey, sobre os relacionamentos, fiquei pensando os relacionamentos de pessoas próximas a mim, e sobre os meus relacionamentos, e sobre o que o texto dizia.
Os relacionamentos dão certo, por um período, e podem acabar, por que um dos dois não estava na mesma sintonia que o outro, apaixonou-se por outrem, ou simplesmente porque a paixão acabou. Mas não quer dizer que não deu certo, por algum tempo eles foram felizes, compartilharam planos de futuro, situações do presente e lembranças do passado, dormiram de conchinha, e em camas separadas, brigaram, fizeram as pazes, amaram e se odiaram como só os amantes podem fazê-lo.
Quando terminamos um relacionamento sofremos profundamente, chegamos ao fundo do poço, que tem altura proporcional à profundidade do sentimento que nutríamos. Mas eles deram certo pois aqui temos a oportunidade de melhorarmos para os próximos relacionamentos, para que os próximos amores sejam mais bem aproveitados. Existe o risco de esquecermos do processo evolutivo e não se permitir amar novamente, não com intensidade, não do jeito que merecemos. O amor da nossa vida pode estar na próxima esquina, naquele beijo roubado, naquele telefone pedido. Mas para isso é preciso dar a chance e estar pronto para encontrá-lo.
Um relacionamento baseia-se na sintonia das duas pessoas, em estarem dedicadas a amar, e a ginástica para isso é dificil. Amar e continuar com uma pessoa é uma decisão que merece suor e lágrimas, é escolha, baseado na incerteza do futuro, mas na felicidade do presente. Conquistar todo dia o mesmo amor é complicado, pois o outro nos conhece bem, sabe nossas artimanhas, defeitos, fraquezas, sabe nossos limites, e às vezes nos conhece melhor que nós. Ter um novo amor por estação é renovador, mas é fácil, o nível de entrega é menor, não precisa expor-se, não precisa ceder um pedaço do coração, é confortável, não é preciso convidar a entrar na sua vida para sempre nem que conheça seu infinito particular.
É comum uma das partes demonstrar mais intensidade no amor que o outro, mas longe de ser amar mais ou menos intensamente, é amar diferente. Cada ser humano, de acordo com as suas histórias, tem um tempo para ir destravando todas as portas até o coração, outros tem mais facilidade em dizer o primeiro "eu te amo", mas nenhum deles está certo ou errado, mas está dentro das suas circuntâncias. Há várias formas de amar, cada um sabe expressar o seu amor de uma forma única, assim como há escritores, pintores, escultores com estilos diferentes, as pessoas amam de formas diferentes, mas nenhum artista é menos sensível que o outro, e há público para todos eles.
Há pessoas que desejam, como prova de amor, uma dedicação com 100% de investimento emocional e temporal do outro. Isso não existe. Temos amigos, família, carreira, estudos, trânsito, prazeres individuais nos hobbies, individualidade existencial, etc. Precisamos de um tempo longe, para essa liberdade nos prender, como cantou o Jota Quest, pois voltamos para quem amamos. Sabendo que há vida lá fora, e que voltar é decisão minha. Precisamos priorizar nossos amores do presente, sem compará-los ao passado ou aos amores platônicos perfeitos. Amar o objeto do nosso amor pelo que é e pelo que representa hoje, e nada mais.
Os amores podem ser de cinema ou novela, intensos, vívidos complexos, outros podem ser romances de verdade, da vida cotidiana, mais tranquilos, e nem por isso menos verdadeiros.
O Amor é heterogêneo, é belo, é profano, é santo, é intenso, é de pai e mãe, de irmão e amigo, é de um dia ou uma vida inteira, é água, terra, ar e fogo, tudo junto e agora. Mas é acima de tudo essencial, e por isso mesmo "invísivel aos olhos", e indefinível por natureza.
Por isso, mesmo tudo sei que meus relacionamentos passados deram certo. Pois aprendi muito com eles.
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